teresanicolau @ 22:33

Dom, 30/10/11

Disseram-me uma vez, que tinha de tirar fotografias com as personalidades conhecidas que me apareciam na vida profissional. Um De Niro ou uma Deneuve, mas também um Chef Avillez, sem esquecer uma Simone Veil, ou um Raúl Solnado. Tinha a ver especificamente com uma espécie de mapeamento da carreira profissional, a elaboração de um arquivo que, mais tarde, pudesse dar fundamento a uma publicação qualquer, comemorativa de outra coisa. Lá fui escapando aos momentos gloriosos, por um esquecimento e talvez uma vergonha ou outra, confessando que os dois únicos autógrafos pedidos, foram direitinhos para as mãos de outras pessoas. Um à atriz Juliette Binoche e o meu mais difícil, à coreografa Pina Bausch. É como se fosse um complexo infantil qualquer, que me coloca sempre nesse embaraço de fazer a pergunta: Posso tirar uma fotografia? Ainda assim, não há quadro, escultura , anjo na terra, que não guarde entre esses arquivos digitais que nos esquecemos de olhar. Ailás, as saudades que tenho de todas as fotos que a família, as amigas, que vamos tirando e, que por impossibilidades temporais ou outras imbecilidades, acabamos por nunca oferecer ou partilhar sequer. Aliás, acho até que, para além da falta de fotos, falta-nos mesmo isso tudo que é mais analógico. O contacto direto. Adiante. Sim, porque em presença tenho tido, cada vez mais esses desconhecidos que fazem notícia. E vou então partilhando esse momento único que é a vida com perfeitos estranhos, que chegam a ser confessionários construídos, daquelas casinhas de madeira, com uma grelha pelo meio, mantendo possível o anonimato, mesmo de cara descoberta. Muito se diz, para nunca mais voltar a ser repetido. São essas pessoas, que lá me vão ouvindo, em momentos perfeitamente imprevisíveis, em lugares longínquos, a horas desadequadas. com esta "quest", como dizem os ingleses, dos "Portugueses Extraordinários" (RTP), de um lado para o outro, sempre meio a correr por autoestradas e becos sombrios ou montanhas luzentes, acabo por encontrar uma família. Desde o senhor Pinto que tem uma nogueira centenária no quintal, que arrendou há mais de 50 anos, lá no meio da vila, passando pela Sandra e pela Tatiana, que vão todos os dias dançar ao Centro que a Carla criou para elas. Num destes dias, e pela primeira vez em tanto tempo, senti a falta de uma máquina fotográfica, daquelas que têm o prodígio de colocar um bando de estranhos juntos e a sorrir, por um momento. Na mais recente reportagem, o senhor Grifo emocionou-me pela sua paixão pelo teatro, a Otília contagiou-me com tanta inocência aos 40 anos, a Tia Maria Zé abraçou-me como se fosse minha avó. E depois, a despedida que não tinha mais fim, o afastamento que nem se conseguia, mesmo que "Adeus" fosse dito mais de cinco vezes sem conta.

É com estas pessoas que quero tirar fotografias. A partir de agora. Para a minha Galeria dos "Famosos".

 

PS: Esta crónica é dedicada à equipa Extraordinária dos "Portugueses Extraordinários" (RTP) com quem me arrependo de não ter tirado uma fotografia, em rodagem. Obrigada.

 

 

 



Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
Pub.
Segue no Twitter
Arquivos
Pesquisar
 
RSS