José Maria Barcia @ 22:17

Seg, 31/10/11

De boca cheia saem estas palavras todas de quem não as merece dizer. Passam por armas de arremesso, escudos que impedem seguir em frente.

A liberdade de se ser. A justiça para o conseguir ser. A igualdade de oportunidades para poder ser. A alegria de o ser. A beleza inerente e a paz que daí advém. Parece simples e até é. Em palavras. Sem segundas intenções. Estes são fins e meios. Não é um meio para outro fim nem um fim através de outros meios.

 

Estas palavras são usadas muitas vezes da maneira errada. ''Freedom fighters'' é em si uma contradição. Fazer justiça através da força, da morte é outra. Igualdade para todos quando nem todos merecem ser tratados da mesma maneira. Alegria atingível rápida e facilmente, torna-a supérflua. Beleza que implique passar fome, ter as melhores roupas ou o melhor penteado não é beleza. E paz. Guerra para ter paz.

 

Não.

 

As conotações erradas de palavras com valor absoluto é um impeditivo do objectivo das mesmas. Não se pode nem se deve usá-las levianamente. Ensinaram-me que há palavras que não se devem usar muitas vezes porque perdem o seu valor. Na altura, essas palavras eram ‘’obrigado’’ e ‘’desculpa’’. Mais de uma década depois, junto estas 6. Desconfio de quem as usa muito pois não sabem o seu verdadeiro significado. Pois não podem. A repetição constante de uma palavra cria uma estranheza na sonoridade desta. E não me refiro só à política. Há no dia-a-dia exageros destas palavras. Justiça para todos! Liberdade sem limites! Iguais somos todos! Seja alegre! Seja belo! Tenha paz!

 

Não.

 

Recuso-me a aceitar viver numa sociedade que acha que a justiça é igual para todos. Que todos merecem a liberdade tida quando abusam dela. Muito menos que somos todos iguais. Nem pensar: todos diferentes, todos diferentes. Alegria? Mais vale tentar ser feliz. E a beleza? A física é efémera. Tão que às vezes basta um dia. Por fim a paz. Talvez, no último dia. E só depois do último fôlego.

 

Portanto, fica aqui a minha carta aberta contra o uso e abuso destas palavras.

 

Não as usem tanto pois perdem valor. E de palavras belas está escasso ele mundo. Não as estraguem.




José Maria Barcia @ 10:07

Seg, 31/10/11

... fazer uma e só uma pergunta a quem encontrar. Amanhã mostro o resultado.




teresanicolau @ 22:33

Dom, 30/10/11

Disseram-me uma vez, que tinha de tirar fotografias com as personalidades conhecidas que me apareciam na vida profissional. Um De Niro ou uma Deneuve, mas também um Chef Avillez, sem esquecer uma Simone Veil, ou um Raúl Solnado. Tinha a ver especificamente com uma espécie de mapeamento da carreira profissional, a elaboração de um arquivo que, mais tarde, pudesse dar fundamento a uma publicação qualquer, comemorativa de outra coisa. Lá fui escapando aos momentos gloriosos, por um esquecimento e talvez uma vergonha ou outra, confessando que os dois únicos autógrafos pedidos, foram direitinhos para as mãos de outras pessoas. Um à atriz Juliette Binoche e o meu mais difícil, à coreografa Pina Bausch. É como se fosse um complexo infantil qualquer, que me coloca sempre nesse embaraço de fazer a pergunta: Posso tirar uma fotografia? Ainda assim, não há quadro, escultura , anjo na terra, que não guarde entre esses arquivos digitais que nos esquecemos de olhar. Ailás, as saudades que tenho de todas as fotos que a família, as amigas, que vamos tirando e, que por impossibilidades temporais ou outras imbecilidades, acabamos por nunca oferecer ou partilhar sequer. Aliás, acho até que, para além da falta de fotos, falta-nos mesmo isso tudo que é mais analógico. O contacto direto. Adiante. Sim, porque em presença tenho tido, cada vez mais esses desconhecidos que fazem notícia. E vou então partilhando esse momento único que é a vida com perfeitos estranhos, que chegam a ser confessionários construídos, daquelas casinhas de madeira, com uma grelha pelo meio, mantendo possível o anonimato, mesmo de cara descoberta. Muito se diz, para nunca mais voltar a ser repetido. São essas pessoas, que lá me vão ouvindo, em momentos perfeitamente imprevisíveis, em lugares longínquos, a horas desadequadas. com esta "quest", como dizem os ingleses, dos "Portugueses Extraordinários" (RTP), de um lado para o outro, sempre meio a correr por autoestradas e becos sombrios ou montanhas luzentes, acabo por encontrar uma família. Desde o senhor Pinto que tem uma nogueira centenária no quintal, que arrendou há mais de 50 anos, lá no meio da vila, passando pela Sandra e pela Tatiana, que vão todos os dias dançar ao Centro que a Carla criou para elas. Num destes dias, e pela primeira vez em tanto tempo, senti a falta de uma máquina fotográfica, daquelas que têm o prodígio de colocar um bando de estranhos juntos e a sorrir, por um momento. Na mais recente reportagem, o senhor Grifo emocionou-me pela sua paixão pelo teatro, a Otília contagiou-me com tanta inocência aos 40 anos, a Tia Maria Zé abraçou-me como se fosse minha avó. E depois, a despedida que não tinha mais fim, o afastamento que nem se conseguia, mesmo que "Adeus" fosse dito mais de cinco vezes sem conta.

É com estas pessoas que quero tirar fotografias. A partir de agora. Para a minha Galeria dos "Famosos".

 

PS: Esta crónica é dedicada à equipa Extraordinária dos "Portugueses Extraordinários" (RTP) com quem me arrependo de não ter tirado uma fotografia, em rodagem. Obrigada.

 

 

 




João Gomes de Almeida @ 22:04

Sex, 28/10/11

 

Gostava que o mundo por momentos parasse. Gostava de sentar-me no teu colo, sim porque os homens também gostam de colo, e poder dizer-te o que sinto, com a mesma força com que me agarro às teclas do computador e escrevo este texto.

Adorava ser, só por esta noite, um mendigo estacionado num beiral da Gran Via, só para te ver passar, para expiar os teus movimentos e sorrir com a graciosidade com que levitas sobre a calçada suja, ao ritmo do som abafado e do calor de Inverno que reflecte a movida, aquela que te leva da Puerta del Sol para a Plaza Mayor - como que fugindo de mim para parte incerta.

Adorava que o mundo por momentos fosse só nosso, que as noites não tivessem fim e que a vida se limitasse a ser vivida. Adorava que o Guernica fosse mera imaginação de Picasso e que a guerra não fosse a mais podre invenção do homem - transportada para o presente através da guerra que é acordar para vivermos o dia a dia.

Nunca pedi uma vida fácil, eu sei, mas também nunca lutei para a ter, sempre gostei mais de curvas apertadas do que de rectas fáceis onde apenas temos que acelerar em frente, sem lombas, sem chuva e sem Inverno - aí está, sempre gostei mais da chata chuva do Inverno, do que do fácil calor do Verão. Tu, sempre foste como eu.

Amar não é fácil, amar-te também não e amares-me muito menos. Seremos sempre guerreiros e pilotos da nossa vida, indo sempre pelas curvas, até onde nos leva a vontade de encontrar-mos a nossa paz. No fim, morreremos, como todas as pessoas - mas teremos sido sempre nós, felizes, diferentes, apaixonados, rebeldes e essencialmente nós próprios - um todo, que me fez abandonar o singular a meio deste texto, para te dizer: amamo-nos. 

 

 

Amor, amor, las nubes a la torre del cielo 
subieron como triunfantes lavanderas, 
y todo ardió en azul, todo fue estrella: 
el mar, la nave, el día se desterraron juntos. 

Ven a ver los cerezos del agua constelada 
y la clave redonda del rápido universo, 
ven a tocar el fuego del azul instantáneo, 
ven antes de que sus pétalos se consuman. 

No hay aquí sino luz, cantidades, racimos, 
espacio abierto por las virtudes del viento 
hasta entregar los últimos secretos de la espuma. 

Y entre tantos azules celestes, sumergidos, 
se pierden nuestros ojos adivinando apenas 
los poderes del aire, las llaves submarinas.

 

Pablo Neruda

 

 

(da próxima vez vamos os dois, mas ao Chile, ter com o Pablo.)


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João Gomes de Almeida @ 12:49

Sex, 28/10/11




João Gomes de Almeida @ 17:02

Qui, 27/10/11

Só para lembrar! Apareçam e tragam amigos!



Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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