Ana Santiago @ 18:31

Seg, 30/01/12

Esta é uma polaroid antiga. Tirei-a há uns dois anos durante uma palestra proferida pelo Francisco Varatojo no Instituto Macrobiótico de Portugal, no Chiado, em Lisboa. Foi uma daquelas coisas "de grátis", como ouvi uma vez um senhor dizer, e para as quais a minha amiga G., que tem uma agenda cultural de borlas sempre à mão, costuma arrastar-me.

O Varatojo é um tipo com muita piada. Embora tenho umas teorias estranhas sobre a alimentação que não me convêm nada, como não devermos comer tomate (logo eu que sou defensora da dieta mediterrânica), acerta em muitas outras que têm a ver com o que ingerimos mentalmente. E a polaroid de que falo agora, e só esta semana foi revelada com todas as cores, tem a ver com o poder masculino e o poder feminino.

Dizia o Varatojo, e toda a palestra, que versava sobre relacionamentos, estava baseada nesta premissa, que a principal causa de as relações (heterosexuas, ele só falou nessas) não darem certo prende-se com o facto de os papéis, as características e as idiossincrasias de cada sexo terem-se invertido, confundido e baralhado. Os homens começaram a assumir lados femininos que não é suposto e as mulheres lados masculinos que também não é suposto. Na altura, aquela ideia misturada com o ying e o yang, e mais não sei quê, cheirou-me a comida macrobiótica, saudável e tal, mas pouco apaladada. Para não dizer que, com o mau feitio gustativo que me é característico, senti um picantezinho a machismo.

Pois o Varatojo (não confundir com o senhor que nos falava de crimes e investigações) tinha razão.

Não tem a ver com tarefas domésticas; com quem dá banho aos filhos, cozinha ou arranja o candeeiro da sala... As tarefas marianas não têm sexo, dependem da aptidão, do gosto, do bom senso e do companheirismo e respeito; e aqui pode ou não haver lugar ao machismo e ao feminismo, ou "femischismo", ou "machisfemismo", que sei eu, e da educação que cada um trouxe de casa.

Tem a referida premissa a ver com aquilo que distingue o homem da mulher, a energia masculina da energia feminina, com aquilo que desde o início dos tempos nos prometeu uma guerra dos sexos, que apimenta as relações e dá graça ao facto de continuarmos a embrulharmo-nos com o sexo oposto. Somos iguais em direitos e deveres, mas não somos iguais em interesses, actos, contrições, omissões, desejos, manifestações da nossa sexualidade e visões do mundo e da realidade. Não queria aqui falar da famosa metáfora da caça e do caçador... mas o problema é que não me ocorre mais nenhuma. A mulher, sendo caça (desculpem lá a metáfora outra vez), sabe que acaba sempre por decidir os condimentos todos do cozinhado e até o grau de teperatura no forno. Então porque não deixar-se ser caçada? (suspeito que vão chover insultos)

Algures, nos últimos tempos, começámos a esquecer o que nos torna únicos. Isso gerou a confusão. As mulheres estão habituadas a viver em confusão, desde que se levantam até que se deitam, porque isso só cria mais oportunidades para fazerem o que sabem fazer melhor do que ninguém: organizar, encaixar em timelines e grelhas de expectativas calculadas à lupa das suas aspirações. Os homens não. Perdem-se e refugiam-se em tarefas unidisciplinares, uma coisa de cada vez... para não gerar mais confusão. No meio disto tudo, na lista de prioridades, o amor acaba tantas e tantas vezes por ficar para o fim.

 

Os homens, diz-se, e dizem alguns deles também, andam confusos, com medo e desacreditados no amor. As mulheres, diz-se, e dizem algumas delas também, andam confusas, com medo e a fingirem-se desacreditadas no amor.

Há um exemplo ou uma tentativa de explicação, em particular, que quero deixar impressa nesta polaroid, e que talvez seja transversal a isto: as mulheres são muito boas e muito rápidas. Estão à frente ainda antes da puberdade, sempre antes dos rapazes, e têm tido dificuldade em domesticar o seu lado controlador e super organizado, enfermo da maravilhosa síndrome multitask.
 

Nas relações é preciso que as mulheres dêem espaço aos homens para escolher. Para escolher como amam, como se dedicam, como se organizam, como se compreendem. É preciso devolver-lhes o poder de decisão. Não que decidam pelas mulheres ou que sequer se atrevam a decidir sobre o que a mulher deve ou não fazer, mas sobre o que eles próprios querem e como querem fazer. As mulheres, custa-me admitir, de tão fantásticas e completas, têm vindo progressivamente a castrar o homem, naquilo que ele, e todo o ser humano, tem de mais rico e inalienável - o poder de decidir sobre a sua vida. O poder, inclusive, de perder-se e encontrar-se como e quando quiser.

Chega de preocupações excessivas sobre o seu bem estar, chega de confundir amizade e companheirismo com maternalidade desviada (só os filhos é que precisam disso, ok?). Basta de desejarem que os homens se ponham a partilhar tudo e tudo, e de fazer psicanálise no sofá lá de casa (quando muito, dêem-lhes o contacto de um bom psicólogo, mas depois não andem a perguntar de cinco em cinco minutos se ele já marcou consulta). Párem de andar preocupadas com o "era tão bom se", e o "porque é que ele não...", vou dizer-lhe. Shiu! Não digam. Os 'se', os 'não' e os 'sim' são lá com eles. Dêem-lhes espaço para recuperar a sua masculinidade.  

 

Enquanto não perceberem isto das duas uma: ou têm homens banana ou ratos: Os primeiros são uma seca... os segundos também ninguém quer; saltam do navio assim que ele começa a zarpar para a Ilha dos Amores. E até o romântico do Camões, como sabemos, naufragou.

 

 

 

 

 




João Gomes de Almeida @ 00:22

Seg, 23/01/12

Em matéria de casamentos, o povo português é realmente o melhor do mundo. Todos temos uma opinião a dar e todos temos igualmente um episódio a contar. Para o comprovar, convido o estimado leitor a fazer uma pesquisa no Google Portugal (restringindo a mesma apenas a sites do nosso país) sobre a palavra "casamento" - rapidamente ficará surpreendido ao reparar que existem dez milhões e duzentos mil sites a falar sobre o assunto. Ou seja, existem tantos portugueses em Portugal, como portugueses a falarem do casamento na internet. Por outro lado, se fizermos a mesma pesquisa com a palavra "divórcio", apressadamente percebemos que só há um milhão trezentos e oitenta mil sites a referirem o mesmo. Pouco mais há a dizer, somos românticos, piegas, pirosos e antiquados o quanto baste, e ainda bem.

 

A verdade é que os hábitos mudaram e a juventude é o seu reflexo. O mundo é mais liberal e os casais ainda mais, namora-se muito, saímos tarde de casa dos nossos pais e nunca pensamos em casar. Aí é que o leitor se engana. Nós portugueses, jovens portugueses, continuamos a casar - mesmo em situação de crise, com empregos precários, vidas remediadas e futuros incertos. A bem da verdade, também existem mais divórcios, mas de que interessam? Recordo, dez milhões e duzentos mil de nós escrevemos na internet sobre casamento e apenas um milhão e tal é que escreve sobre o divórcio. Os românticos venceram, ponto final.

 

Mas já agora. O estimado leitor já pensou no porquê disto ser assim? É verdade, outra vez o estúpido do amor. Certo dia, vamos a um encontro de trabalho beber uns copos com profissionais da nossa área, metemos conversa com uma formosa rapariga e pedimos que nos segure o copo enquanto acendemos o cigarro. Aí o mundo como que se altera, as prioridades invertem-se e tempos depois estamos a pesquisar no Google sobre "casamento".

 

Agora, quando acabar este texto, já serão dez milhões duzentos mil e um sites a falar sobre o casamento em Portugal. Pois é, aqui estou eu, romântico, piegas, piroso e antiquado, mas apaixonado o quanto baste. Não se preocupe caro leitor, não tarda e entrará também para esta lista - tenha cuidado a quem pede para segurar o seu copo enquanto acende o cigarro.




Nuno Miguel Guedes @ 13:06

Qua, 18/01/12

Até podia ficar por aqui para provar as prioridades deste país que eu amo: «A petição que "pretende que as embalagens individuais de açúcar passem a conter um máximo de seis gramas" inaugura hoje a ordem de trabalhos da Comissão Parlamentar de Saúde.Ceeeerto. Comissão Parlamentar, coisa séria, é preciso debater o quanto antes o ataque desmedido dos pacotes de açúcar com mais de seis gramas. O resto tem tempo.

 

Mas nem é esta imbecilidade que me perturba mais – são os responsáveis por isto acontecer. Ao que parece,  «um grupo de quatro alunos da licenciatura em Gestão e Concepção de Políticas Hospitalares do Instituto Politécnico de Tomar» conseguiram convencer 145 mentecaptos fundamentalistas (passe a redundância) a assinar uma petição que pretende provar que se o pacote tiver cinco gramas de açúcar faz menos mal à saúde. Mesmo que o cidadão possa colocar no seu galão o conteúdo de dez pacotinhos. Nesta ordem de ideias, seria mais seguro oferecer com a bica um trambolho de quilo e meio de açúcar, decorado com os aforismos de pacote agora tão populares:«Nunca me lambuzei com um quilo de açucar na vida. Hoje é o dia». Era menos portátil e portanto menos «perigoso».

 

É evidente que, apesar de doutos pareceres de entidades clínicas, a coisa não passa pela redução dos pacotes. Porque podemos escolher. E não será um pacote de seis gramas que irá despertar o diabético que há em mim simplesmente porque eu não quero.

 

Andamos a criar monstros como estas criaturas em tempos de radicalismos de pacotilha. A inenarrável proposta de lei do tabaco, que, entre outras coisas, proíbe os cidadãos de fumarem na via publica (pausa para conter o riso) é outro exemplo descabelado.

Vamos deixar-nos de tretas, sim? Ainda ontem um amigo contava-me, a propósito desta última lei, o que viu numa parede de uma tasquinha numa terriola perdida perto de Salamanca: junto de uma bandeira de Espanha estavam as fotografias de Hitler, Mussolini e Franco. Ao lado os dizeres:«Nem estes tiveram os cojones de nos proibir de fumar». Como é evidente, ali fumava-se.

Podemos escolher sem decreto, e isto é aplicável à vida. Assim tenhamos os cojones para isso.




José Maria Barcia @ 18:12

Seg, 16/01/12

Nos tempos que correm há pelo menos duas vidas: a real, aquela que cansa e a virtual, a imaginária e moldável.

 

Esta segunda é muito mais fixe. Podemos escolher que fotografias queremos mostrar, que ideia queremos passar, que coisas queremos mostrar. E esconder tudo o resto. Esta vida virtual, alimentada pelos facebooks, twitters e companhias difere um pouco da real. É como quem conta um conto acrescenta um ponto. Só que desde vez o conto é a nossa vida. Ao pormenor e quase ao segundo.

 

A vida facebookiana alimenta-se de ''likes''. Um video, uma música ou um pequeno texto sem um ''like'' é um pormenor nosso falhado. É algo feito que, na cabeça de quem o partilhou, achou ser importante partilhar. É um auto-elogio da nossa vida, ou melhor de um momento dela. Mas sem ''likes'' não há festa. Passou despercebido. E na vida virtual, não há nada pior que não ser notado.

 

Estas premissas levam-nos, então, ao regime autoritário conhecido como a ditadura do ''like'', ou para os politólogos de renome, o likeismo. O likeismo, como os politólogos de renome chamam a este conceito, traduz-se na alimentação constante da vida virtual, na escolha minuciosa dos pormenores a partilhar e finalmente, na democratização dos gostos. Percebo que aqui cresça uma pequena dúvida. E perguntam vocês, distintos leitores mas sem a óbvia capacidade de analisar dados políticos que pessoas como eu, politólogo reconhecido além-mar (há uma ilha no meio do Pacífico que me venera como, obviamente, mereço. Mas tem 3 habitantes: um está demente e os outro dois são gaivotas) consegue.

 

Eu explico, a democratização dos gostos corresponde apenas à demagogia da vitória da maioria. Só a maioria tem direito a expressar o que é bom e o que é mau. Um texto fantástico, uma música estupenda ou uma fotografia mais que bela de nada interessam se os ''likes'' ficarem aquém do esperado. O futuro Nobel da Economia pode explicar, através do seu perfil de facebook ou timeline do twitter, como acabar com a fome no mundo que não interessa. Sem as bases apropriadas para espalhar a ideia, o futuro Nobel torna-se apenas num nerd com mania que percebe de contas números.

 

Torna-se claro, portanto, que as redes sociais implicam uma partidarização da coisa: um grupo de fiéis seguidores quase cegos sustentam a força da nossa vida virtual. Estes seguidores devem ser de mentalidade pouco crítica e sempre disponíveis a carregar no botão ''eu gosto'', ''like'' ou em espanhol, e pessoalmente o meu favorito, ''me gusta''. Na medida em que estes alimentam o seu ídolo, têm de receber alguma contribuição. Deve o líder da grupeta disponibilizar, mas raramente, alguns ''likes'' de modo a que os pequenos seguidores se sintam minimamente importantes dentro da ditadura.

 

Concluíndo, há várias maneiras de um se tornar líder do likeísmo, ou como os politógolos que como eu são reconhecidos além-mar gostam de os denominar, o likente-mor. O primeiro critério assenta no nascimento: ser mulher, e muito mais muito, gira. Não interessa o que dizem ou fazem. Um like de um sujeito assim cria um aumento enorme do bem-estar social, no likado. Mesmo que seja só um em 3 anos, o seguidor sentir-se-á obrigado a gostar de tudo o que a likente-mor fizer/disser.

 

De seguida, a profissão: actor, músico, artista no geral, futebolista ou outra coisa qualquer que englobe aparecer diversas vezes no quotidiano da população. Qualquer coisa dita é certa e válida, mesmo sendo a maior imbecilidade dita desde o Big Bang.

 

A terceira é um ramo da segunda: o critério da qualidade da profissão. Estes likentes-mores caracterizam-se por serem representantes de uma ideia ou facção. E desde que sigam essa ideologia terão ''likes'' suficientes para manterem a posição.

 

Por último, aquilo que a democracia tem de bom: a capacidade do outkast, aquele que aparece do nada, chegar a chefe do grupo. Mais difícil que qualquer outra maneira de chegar ao topo da rede social, este inicialmente ostracizado pelos outros, torna-se importante, começando por juntar os amigos mais próximos e assim sucessivamente, alargando a sua rede de influência. Este último trabalha diariamente para isto. Responde a todas as  perguntas e  comentários, participa em conversas noutros perfis e desafia constantemente os adversários do mesmo nível, e, de vez em quando, os superiores. Este é o que menos liberdade possui no exercício de poder pois os seus seguidores são os mais críticos. Qualquer falha e há 100 a querer substituí-lo.

 

Fica então esta brilhante e modesta consideração sobre a nossa segunda vida.

 

Do sempre vosso politólogo favorito. Façam favor de dar um ''like''.

 

 

 

 

 

 




José Maria Barcia @ 00:57

Ter, 10/01/12

Gosto de conversas que começam com ''está tudo maluco''. Acabam da melhor maneira.

 

Ora, explico. É simples. Pode vir de um episódio no trânsito, de uma notícia da televisão ou mesmo de uma história de aconteceu ao amigo do irmão do sobrinho do irmão do pai. E a história é esta '' epá, aquele gajo fez isto e depois ainda foi lá fazer aquil'' seguido de um comentário ''está tudo maluco, pá''. E porque é que estas conversas são óptimas? Porque nos fazem lembrar que malucos somos todos.

 

Da história mais mirabolante há sempre semelhanças com algo que nós fizemos. Portanto, após a parte do ''está tudo maluco'' vem, imediatamente, o ''e lembras-te quando fiz aquilo'' ou ainda ''pá, mas e quando tu foste ali fazer aquela coisa mas depois fizeste a outra''.

 

As conversas que começam com ''está tudo maluco'' levam, inevitavelmente, a um patamar de aproximação ao sujeito culpado de cometer um acto fora dos trâmites normais. É que, se ele é maluco, então porque é que eu também não sou? E tu, quando fizeste aquilo ao outro?

 

Esta conversa, de copo na mão, só pode levar à nostalgia dos nossos actos malucos. E esses, esses são sempre e motivo de orgulho. Na altura, claro que não. São de vergonha, medo até. Mas diz o ditado ''ainda te vais rir disto''. E é verdade, os momentos mais embaraçosos, e agora falo só por mim, são aqueles que mais penso em contar aos meus netos. O que são conquistas académicas comparadas àquela vez que pus um rato na aula? O que é um ordenado avantajado relativamente ao dia em que corri nu pela praia? Ou ainda, quando a vida me estiver a passar pela frente, vou-me lembrar de quê? Se puder escolher, quero-me lembrar de todas as vezes que fui parvo, pateta e tonto. Quando fui inconsciente, infantil e imaturo. Porque quando encontramos um amigo da escola, daqueles que não vemos há imenso tempo, o que tem mais piada é relembrar esses momentos.




Ana Santiago @ 00:15

Seg, 09/01/12

Não creio que alguma vez descubra a cura para uma doença ou invente alguma coisa verdadeiramente útil ao mundo. Tão pouco acho possível convencer alguém que a roda não foi inventada desenhando uma jante qualquer xpto. Não faço tunning à realidade.

A única coisa a que dou assistência é à constatação de coisas. É mais ou menos como saber que tenho de deixar de fumar e de abdicar do glúten, mas só num certo dia, sem que ninguém me chateie com o assunto, é que vou acordar com essa verdade inscrita e escarrada em todas as células do meu corpo. E será uma descoberta. Às vezes é como o Cabo das Tormentas; ele existia desde sempre, mas fomos nós que o dobrámos e lhe demos um nome.

 

A minha mais recente descoberta tem um nome longo: Esperar o melhor de uma pessoa não é a mesma coisa que ficar à espera do melhor dessa pessoa.

Esperar o melhor de uma pessoa é gostar dela. Muito. É acreditar que ela pode conquistar o mundo, ser boa, ser a melhor no que faz, ser um Mandela, um Gandhi, um Sinatra, uma Madre Teresa, um Jorge Luís Borges. É ir para a primeira fila e fazer claque, levar cartazes de apoio e gritar estou contigo, és o(a) maior!

Ficar à espera do melhor dessa pessoa é como gostar do brasileiro Sócrates, mas antes do álcool; do Fernando Pessoa, mas só se tivesse casado e tido filhos com a Ofélia; do Kennedy, mas sem ter encornado a Jacqueline; da Amy Winehouse, mas sem se ter metido nas drogas. É gostar dela, mas na dependência do muito melhor que ela pode ser.

Gostar de alguém é na maioria das vezes, admitamos, eu admito, gostar do mais alto potencial desse alguém. Ficamos apaixonados pelo
que sabemos ele(a) ser capaz de atingir – a perfeição como a concebemos. Não necessariamente a perfeição no sentido literal da palavra (ninguém quer
santos), mas tal e qual como imaginámos que essa pessoa seria se fosse perfeita. Até os defeitos que lhe são permitidos nós definimos, porque há defeitos com muita piada…

Investimos depois na monitorização da sua existência, e da sua existência connosco, estabelecendo indicadores de gestão corrente, medindo avanços e recuos, magicando gráficos de eficiência. Um desperdício tão grande de energia, a fazer contas e a gerir expectativas, que acabamos estoirados e, o que é o mais grave de tudo, sem trabalharmos na nossa própria perfeição.

Ninguém gosta de ser metido num gráfico ou num tubo de ensaio, ter sempre alguém a olhar para o que podemos ser, em vez de apreciar, degustar e amar o que somos e ao que sabemos. Há relações que são “como água para chocolate”. Uma grande dor de barriga. Há outras que são mel em cima de tarte de maçã acabada de sair do forno. Uma grande dor de barriga também. Cada um tomará as dores que quer. Não são todas iguais. Entre o prazer e o masoquismo. Entre o esperar ou o ficar à espera.





Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
Pub.
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