José Maria Barcia @ 06:30

Ter, 21/02/12

O preconceito é um arma de defesa contra o desconhecido. Cria-se preconceitos quando não sabemos o que vamos enfrentar. Esteoreotipamos quando precisamos de saber em quê batalhar. É racional criar uma ideia de alguém que não conhecemos.

 

Por clareza, não falo do preconceito básico, como aquele que motiva o racismo ou estereotipo que vai dar ao xenofobismo. Não. Pode-se até dizer que é um tipo de preconceito inteligente. Aquele que criamos a uma pessoa e não a uma raça ou um credo ou a outra coisa qualquer.

 

Esta é a história daquele que criou um preconceito face ao estereotipo criado de antemão a outra pessoa. E um dia surpreendeu-se. Ficou sem resposta, ficou sem saber o que fazer. Ao sair da sua área de conforto ficou desamparado. Como este texto: desamparado.

 

Este texto não faz sentido. Faria sem não tivesse existido uma conversa anterior. Faria todo o sentido do mundo se fosse original. Este é um texto fácil pois é uma reprodução de uma conversa.

 

Este texto não vale a pena ser lido. Fale a pena ser dito e ouvido. Aliás, escrever é um acto medroso. Palavras caras, figuras de estilo, tudo e mais um bocado para embelezar uma ideia que dita não parece tão bela. Falar não é fácil, fácil é escrever.

 

De que vale escrever quando amanhã podes dizê-lo?




José Maria Barcia @ 14:19

Ter, 14/02/12

Hoje é dia 14 de Fevereiro, dia dos namorados. Até aqui não há novidade.

 

Hoje, todos os textos serão de apologia ao amor ou de crítica à comercialidade deste dia. Ou porque hoje imensas relações brotam da escuridão do segredo, ou porque hoje é preciso ir comprar qualquer coisa para a cara-metade. Há ainda a versão do dia dos namorados dos solteiros e solteiras desse mundo, conhecidos, neste dia, como os ''encalhados''. Por pura honestidade intelectual tenho que admitir que me encontro nos últimos. Por favor, não quero convites para jantar, nem declarações nem flores. Se bem que um misto das três coisas não fazia mal a ninguém. A sério, meninas, don´t be shy.

 

Ora, voltando ao tema. O dia de hoje afigura-se tendo apenas duas soluções: ou se ama ou se odeia amar os enamorados. Os primeiros porque olham para este dia como o Natal das relações. É dia especial de espalhar, mostrar, declarar o amor. Por outro lado, os solteiros que não conseguem ver demonstrações públicas de amor. Esses dizem mal dos primeiros mas no fundo a invenja é muita. É como passar um Natal sozinho.

 

Por mais comercial que seja o dia dos namorados, não interessa muito a quem nele participa. Ir jantar, trocar umas lembranças e a surpresa à espera do fim da sobremesa. E se com isso ele ou ela gastarem metade do ordenado desse mês, o que interessa?

 





José Maria Barcia @ 06:24

Sab, 11/02/12

O Amor não pode ser tão absoluto como outros valores como a vida ou a dgnidade humana. O amor pode ser relativo mas não deixa de ser um dos mais importantes valores que cada um pode ter.

 

Cada um ama da sua maneira e com a sua intensidade. Para uns envolve flores, chocolates e beijinhos. Para outros, apenas um olhar significa um amor do tamanho do mundo.

 

Ainda há, aqueles pobres coitados, que não sabem o que é o Amor. Confundem-no com tanta coisa. Tanta e tão acessória coisa. Desses tenho pena. Não serão felizes. Mais feliz é aquele que sofre por Amor que aquele que nem sabe o que Amor é.

 

Amor, o meu verdadeiro, é aquele que faz parar o universo. É aquele que num primeiro beijo o mundo para. Tudo fica imóvel. Mas engane-se quem acha que isto é fantasia. O amor verdadeiro é tão raro que quando acontece o mundo para mesmo. Niguém entende mas acontece.

 

O primeiro beijo, imobilizador do universo, tem força indestrutível. Qual bomba atómica qual quê ao pé de um primeiro beijo.

 

O Amor tem de doer. Para que seja uma sensação agradável é preciso ter uma sorte enorme. O Amor é o único fio conduzido pelo destino. Daí a sorte.

O Amor é luta. E, normalmente, uma pessoa magoa-se numa luta. Leva nos cornos, diga-se. E outra vez, com sorte ganha.

O Amor só é lindo no fim. Na concretização, na conclusão do sentimento. No fundo, quando passa a partilha. E para isso é preciso sorte.

 

É tal a sorte que quando se ama alguém verdadeiramente, é fruto do acaso, logo a sorte, ter conhecido essa pessoa. Ninguém ama aquele ou aquela que conheceu porque estava combinado. Não. O Amor é suposto ser imprevisível. Aquela amiga que nunca considerávamos capacidade para amar, aquelaconhecida do fundo da rua, aquela desconhecida que afinal não é tão desconhecida.

 

O amor, além de fortuito, é sacana. Nunca ninguém se apaixonou por quem devia. Nunca ninguém se apaixonou com quem devia.

 

E por aqui fico que estou cansado e quero dormir.

 

Há-de vir a segunda parte deste texto, quiçá, breventemente.


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Ana Santiago @ 23:35

Qui, 09/02/12

A Inês Meneses, generosa radialista e talentosa comunicadora, que dá fogo ao éter nas manhãs da rádio Radar, partilhou hoje no Facebook a resposta que, ao fim de seis anos do programa 'Fala com Ela', recordou com mais prazer: "Pergunto a Paula Rego o que a terá aproximado do marido Victor Willing, e ela responde apenas - Sexo!".

A Inês, que admiro por amar a rádio, a música e o poder das palavras (e a rádio em Portugal tem esquecido tantas vezes a importância das palavras...), consegue sempre dizer coisas que me remetem para outras, num delicioso exercício de intertextualidade.

O seu maravilhoso post de hoje (que arrecadou mais de 100 likes) veio colocar a cereja em cima de um bolo cozinhado durante o final da minha última noite, em que discutia precisamente a importância do sexo nas relações.

Costumo dizer que é 70 por cento de uma relação. Exagero, dizem-me. Não é, digo. E espero ainda no lar estar a defender esta percentagem que só poderá igualar-se em importância à que eu defendo que a cultura, a educação, a saúde e o turismo deviam ter nos orçamentos de estado.

Não nos ligamos, amamos ou aproximamos de alguém só porque o sexo é bom, mas o sexo só é bom se estivermos ligados a esse alguém. E há coisas que ou são ou não são, e nem vale a pena perder tempo a pensar nos 'ses'. É uma questão de energia, só para simplificar, que agora não estou com cabeça para entrar em espiritualidades.

O *bom sexo não é garantia de nada, não é garantia de amor ou de afecto - pode até não ser mais do que a base de uma muito divertida e compensadora "amizade erótica", como subscreve o Alberoni -, mas o mau sexo é a maior garantia de que uma relação está votada ao insucesso, ou àquilo que substitui o insucesso, quando não se quer terminar uma relação: Infelicidade.

O que levou a Paula Rego ao marido é o que nos leva a todos. Podemos depois ficar ou partir, mas se nunca houver bom sexo nunca chegaremos a estar. A 100 por cento, que é a percentagem que realmente interessa no amor. 

 

* O que é bom sexo? Toda a gente sabe (e cada um sabe de si).

 




José Maria Barcia @ 03:39

Qui, 09/02/12

Seja por sinceridade ou por excesso de gin (dificilmente se distingue) é possível chegar a um estado de sorriso. Entenda-se por sorriso aquele estado de felicidade efémera, como o título diz.

 

Esta dita felicidade vem da conversa, do desabafo, da partilha. Vem do amor, com caixa baixa porque o amor com caixa alto é muito mais complicado. Esse amor traduz-se na partilha de vida com outros. Vem da amizade. E a amizade pode ser recente, muito recente ou longo como o raio. Não interessa. Amarás quem te apetecer. Por que motivo te apetecer. Porque sim, no fundo. Assim de um modo piegas porque é a ser piegas que a malta se entende.

 

Hoje estava mal e falei e bebi. Uma sem outra não funciona. Se só falares sem beber não chegas a nenhuma conclusão. Ou melhor, até chegas mas não entra, diga-se. Se só beberes sem falar entras numa espiral depressiva. O que é uma maçada auto-explicativa.

 

Voltando ao título, agora sorrio. Não interessa o meu drama actual. Há-de interessar, amanhã, e possivelmente de ressaca. Agora, neste presente, o sentimento é felicidade de sorriso. Aquele estado que te põe um sorriso na cara, mantém e prolonga.

 

E, no fundo, é disto que cada um vive. Da busca e espera desse sorriso. Daquele instante em que o sorriso não vai embora, que nada mais interessa, que o universo pára. Tal e qual um primeiro beijo.

 

E agradece a quem tiveres que agradecer quando a noite acabar com ''Para ti, um abraço''. Significa que vales a pena. Significa que vales qualquer coisa. E aí, quando e se chegares aí, já és mais que muitos. És alguém.




José Maria Barcia @ 01:51

Qua, 01/02/12

Quando não tens nada para escrever mas apetece-te escrever, o que fazes?

 

Ora, podes perguntar aos outros o que fazer. Podes escrever sobre não escrever. Podes, até, tentar escontrar um tema, escrivinhando uns parágrafos sobre uma ideia até te aperceberes que não vale a pena.

 

O que, diga-se de passagem, é uma maçada incrível ter vontade de escrever mas tema é mentira. É pior que ter tema mas não vontade. É que esta situação cheira a desperdício. E o desperdício é uma coisinha muito má.

 

Não saber sobre o que escrever...

 

Há quem diga que não se deve escrever quando não se tem nada para dizer. Regra essa que tenho como muito querida. Não há pior que ter que ler ou ouvir alguém quando essa pessoa não tem nada para fazer passar. Como é este caso.

 

Portanto, vejo-me confrontado com a dura realidade, e pior ainda, fui eu que a trouxe. Eu estou a escrever sem ter nada para dizer.

 

Ao menos que isto sirva de lição para alguém. Para mim não serviu.

 

 


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Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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