João Gomes de Almeida @ 23:24

Qua, 28/03/12

São tantas as vezes em que estamos cansados. São tantas as vezes em que não fazemos um gesto largo. São tantas as vezes que deixamos as mais variadíssimas coisas por dizer às pessoas de que gostamos. São tantas as vezes que vivemos obcecados com nós próprios. São tantas as vezes que não paramos para pensar no que é nosso. São tantas as vezes que nos sentimos sem forças. E é em todas essas vezes que o que mais interessa dizer é "amo-te".




José Maria Barcia @ 14:57

Sab, 24/03/12

A partir de certa idade é razoável partir do princípio que toda a gente tem problemas. Há maiores e menores: são conhecidos como ''bagagem''. Uma mala enorme que vem mais ou menos escondida e que se vai revelando à medida proporcional ao descobrimento do outro.

 

Os dramas e os problemas são parte inerente e fio condutor da personalidade de cada um. Embora uns possam ser considerados o fim da estrada para uma relação (seja de que tipo for) , outros fazem aquilo que os problemas têm de melhor: uma aproximação entre duas pessoas da melhor maneira.

 

Explico. Se partilhar glórias e qualidades é, digamos, porreiro, discutir e debater problemas e bagagens é quase infinito. Enquanto na primeira conversa, o raio de acção acaba num ''Oh, que giro'' ou ''Não posso, fantástico'', entrar de peito aberto nos problemas alheios é equiparável a mergulhar no meio do oceano. Naquele meio sem ilhas ao pé, sem salvação possível.

 

O mistério no outro, faz procurar mais. E melhor, faz tentar ajudar. Se fores bom, vais querer ajudar. Se fores bom e o outro te interessar, vais ajudar. A capacidade de ajudar parte de um princípio de superioridade. Só posso ajudar se aquele problema específico não me causar grandes maçadas. Ao início, claro está. A jusante, é suposto o problema engolir os dois intervenientes. E nesta englobalidade problemática, cria-se a relação entre essas duas pessoas.

 

Aparentemente, é assim. As relações duradouras estabelecem-se com base em problemas. São as malas e sacos que fundamentam as boas relações pois é aí que dois se juntam para combater um.




João Gomes de Almeida @ 18:25

Seg, 19/03/12

As melhores palavras sobre o nosso pai são aquelas que nunca escrevemos. Por muito pouco trôpega que seja a nossa escrita, torna-se sempre pequenina, quase inútil, perante a força do que gostaríamos de transformar em palavras bonitas o quanto bastem para poderem honrar o nosso pai. É sempre tudo tão redondo, lamechas e piegas, que poucos são aqueles que se atrevem a pôr em linhas o sentimento mais puro que temos dentro de nós: a filhelhidade

 

O Herberto dizia que "a mãe é mais alta coisa que um homem cria". Este verso é como que assassino, capaz de num tiro matar todos os argumentos possíveis sobre o sentido da vida. Ao nascermos, como nos diz Herberto, já cometemos o maior dos nossos feitos: fizemos nascer uma mãe. Tudo o resto é pura imagem, sacanagem e mundo, o resto do mundo. Os maiores seres da história da humanidade, por muito que tenham feito, nunca suplantaram o seu primeiro acto em vida - dar à luz a própria mãe.

 

No entanto, por norma, subestimamos a paternidade. Ser pai é bastante mais difícil do que ser mãe - digo-o sem nunca o ter sido. À mãe une-nos o cordão umbilical, as primeiras refeições, a ternura própria da maternidade e todo o imaginário que a humanidade foi construindo em volta da figura maternal. A Virgem Maria está em destaque na Sagrada Família, enquanto o pobre do José é arrastado para um espectro secundário. Sempre assim foi.

 

À mãe, na maioria das vezes, basta-o ser. Ser pai é um acto de conquista. Nunca deixará de ser um acto de afirmação, uma luta constante e desigual em competiçao com a mãe. Os pais não podem dar à luz, e é nesse momento que são empurrados para o papel secundário. Muitas vezes acabam por se transformar em actores principais - mas nunca nenhum o conseguiu sem muito esforço, suor e lágrimas.

 

O meu pai tem o mérito de nunca ter sido um actor secundário e nunca ter tentado obter o papel principal. Orgulha-me pensar que sempre substitui a rigidez e disciplina típicas da paternidade, pela ternura, carinho e apoio, típicos da amizade e do amor. Liderando o lar pelo exemplo e estando sempre ao meu lado, mesmo nos momentos em que eu não estava ao seu lado. Ensinando-me que no amor o mais importante é sermos incondicionais. Independente do que se tem em troca, dos erros, do passado e do resto da vida. Ser pai é isso mesmo, amar incondicionalmente.

 

Pai, é por ti que quero um dia também eu ser pai. Para continuar o que me ensinaste. Incondicionalmente. 


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José Maria Barcia @ 14:29

Seg, 12/03/12

Guilherme, Zé e Avó,

Hoje derramei todas as cores que outrora vi, todas as sementes que semeei, as estrelas que alcancei, todas as paisagens que assisti ou as tristezas que vivi, Caiem de dentro de mim. . . Agarro-as, desesperado como nunca estive, mas como água elas fogem das minhas mãos inúteis e continuam a derramar do meu interior já vazio para o chão seco. Sinto-me fraco, mas não fico por aqui, sonho ingenuamente que não os perdi.

Desapareceram muito antes de eu reagir, sugados pela terra ou evaporados para o céu. Restam-me gotas nas minhas mãos e derramo agora lágrimas por ti mãe.
Sorte a minha de me restarem gotas, pois essas gotas tão enormes que realmente são, três anos depois, fazem-me sorrir de novo e fazem-me chorar de novo.

Ninguém sabe tanto quanto eu o que vocês sentem, tal como, ninguém sabe tanto quanto vocês o que eu sinto.

Ao vosso lado sinto-me inteiro, sinto que a mãe existe e nessas alturas ela está feliz, sei que sim, por criar pessoas como nós, os filhotes, porque se ela olhar para vocês como eu o faço, ela vê pessoas espectaculares.

 

Francisco Barcia

10 março 2012




José Maria Barcia @ 17:32

Sex, 09/03/12

 

Faz hoje 3 anos que a nossa irmã nasceu com o preço que isso teve.

 

Faz hoje 3 anos que nós tivemos que lidar com algo que não é suposto lidarmos com esta idade.

 

E já passaram 3 anos e nós aqui estamos.

 

Hoje o dia é feliz por causa da Camila, é triste por causa da Mãe. Temos saudades dela e eramos capazes de tudo para a ter de volta. Mas isso não pode ser. E nós continuamos cá.

 

E faço-vos uma confissão: estou há 3 anos para escrever um texto que vos dedicasse. Hoje é o dia porque não há melhor data que a de hoje. E se pudesse tirar a mágoa que vos sentem, não hesitaria um segundo.

 

Francisco e Guilherme, nós os 3 chorámos e continuamos a chorar. E isso faz bem. Faz bem ter saudades da Mãe porque assim não nos esquecemos do que ela nos ensinou. Nunca pensem que estão sozinhos. Nunca estarão. Eu não vou deixar. A Mãe já não está cá mas eu continuo cá e não vou deixar que nada vos aconteça. E a Camila está a crescer e vai precisar dos irmãos mais velhos.

 

Quando chorarem de saudades, consigam sorrir no fim. Sorriam pela Mãe e por mim. É um favor que vos peço.

 

A Camila nasceu há 3 anos. O preço foi a Mãe. E andámos aqui a tentar perceber porquê, porque raio não foi outra pessoa qualquer mas não vale a pena sentir isso. Sintam orgulho. Emocionem-se. Sejam felizes como ela queria. Podem ter a certeza que não havia nada mais que ela queria do que ver os filhotes felizes. Eu sei isso e vocês os dias também.

 

Este é o dia triste e vai sê-lo para sempre. Mas não precisa de ser só triste. Nasceu a nossa irmã. E é a nossa irmã mais nova. Como vocês são os meus irmãos mais novos. É a nossa obrigação ensiná-la quem foi a Mãe. Para que um dia a Camila possa ter a sorte em conhecer a Mãe. Como nós tivemos.

 

Perdoem-me se não cumpri a minha função de irmão mais velho quando devia. Eu não consigo sozinho. Preciso da vossa ajuda.

 

Um forte abraço do, para sempre vosso, irmão mais velho que nunca vos vai deixar sozinhos



Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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