Ana Santiago @ 01:46

Sab, 26/11/11

"O Homem não é um ser monogâmico". A primeira vez que fui assombrada por esta ideia antropológica, perdida que estou já no número de vezes que a ouvi da boca dos cientistas sociais, tinha 9 anos e foi quando li, às escondidas, o romance de Jorge Amado sobre a Dona Flor e os seus dois maridos. É certo que um deles estava morto, mas aos 9 anos isso era um pormenor.

Costumo usá-la, sobretudo, para arreliar a minha amiga G., a pessoa que até hoje mais me ensinou sobre fidelidade, ou sempre que pretendo sabotar-me e achar que tenho muito amor para dar. Não dá resultado. O cardiologista disse que o meu coração está com uma aorta qualquer a dar de si, o que significa que não é tão elástico como eu pensava e está, sinto-o, farto que eu o engane. Os cientistas sociais podem atirar-se ao chão a rir, mas eu não quero ir parar ao bloco operatório de coração aberto e ficar com uma cicatriz que me estrague o decote.

O nosso desejo visceral de poligamia, ainda que não passe na maioria das vezes de uma conspiração silenciosa (e às vezes sem efeitos colaterais) das hormonas e do medo da solidão, é uma coisa que inscrevemos na mente com os traços mais licenciosos da nossa personalidade para enganar a alma. E a alma, tal como o coração, também está farta disso. Faz-se de parva, deixa-nos dizer e fazer disparates, mas reclama muitas vezes. Verdade. É só uma questão de prestar atenção ao nosso corpo. Quando ele já não bate certo com o coração, os músculos doem, a sinusite ataca, os pulmões andam em sobressalto, ganhamos conjuntivites e a barriga incha. À falta do nosso juízo, a alma dá-nos lições de anatomia emocional.

A poligamia, seja ela praticada, suada ou imaginada, é um vírus mutante. Difícil de controlar. Começa no flirt e pode acabar na terapia, clínica ou etílica (dependendo do nível de consciência do incubador). A monogamia não é a cura. Não é um comprimido ou vacina que se tome, e já está. Era bom. Não era. A monogamia precisa que o doente tenha desejo da cura. É uma coisa em que se investe muito tempo, uma relação prolongada com o sofá roubado à psicanálise. Freud não explica. Jung pode ajudar, mas só nós nos podemos curar. E quando depende tudo de nós, é uma solidão tramada e lá voltamos à polimania. Círculo vicioso.

Quando aterro no sofá, imagino a monogamia como o sítio onde desejamos repousar, acostar a ver passar todos os seres que também podiam ser “nossos”, mas que deixamos seguir porque não perseguem o mesmo destino. A monogamia é isso. É um destino a que só chegamos nós. Tu e eu. Ele e ela(e). Ele(a) e ela.

A monogamia começa sempre por um flirt, por um sorriso, mas depois, como diz o João Gomes de Almeida na sua ode à irracionalidade: “Amor que é amor começa num sorriso e acaba em ti”. Tu. O destino final só tem um tu. Depois de muitos sorrisos para vós, o amor só tem futuro se conjugado contigo. Only you, que é como se diz monogamia em americano.

 

(Havemos de lá chegar)



umquarentao @ 20:32

Seg, 28/11/11

 

Apelo em divulgação na Internet:

O Direito a ser PAI SOLTEIRO em sociedades Tradicionalmente Monogâmicas!


Ainda há parolos que acreditam em histórias da carochinha... mas há que ASSUMIR a realidade:
- Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas apenas os machos mais fortes é que possuem filhos.
- No entanto, para conseguirem sobreviver, muitas sociedades tiveram necessidade de mobilizar/motivar os machos mais fracos no sentido de eles se interessarem/lutarem pela preservação da sua Identidade!... De facto, analisando o Tabú-Sexo (nas Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas) chegamos à conclusão de que o verdadeiro objectivo do Tabú-Sexo era proceder à integração social dos machos sexualmente mais fracos; Ver http://tabusexo.blogspot.com/.


CONCLUINDO:
- Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas é natural que sejam apenas os machos mais fortes a terem filhos, NO ENTANTO, as Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas têm de assumir a sua História: não podem continuar a tratar os machos sexualmente mais fracos como sendo o caixote do lixo da sociedade!... Assim sendo, nestas sociedades, ÚTEROS ARTIFICIAIS – deve ser considerado uma Investigação Cientifica Prioritária!… Para que, nestas sociedades, a longo prazo, os machos (de boa saúde) rejeitados pelas fêmeas, possam ter filhos!


NOTA 1: Incompetência sexual não significa inutilidade... de facto, os machos mais fracos já mostraram o seu valor: as sociedades tecnologicamente mais evoluídas... são sociedades tradicionalmente monogâmicas!


NOTA 2: Hoje em dia, por um lado, muitas mulheres vão à procura de machos de maior competência sexual, nomeadamente, machos oriundos de sociedades tradicionalmente Poligâmicas: nestas sociedades apenas os machos mais fortes é que possuem filhos, logo, seleccionam e apuram a qualidade dos machos.
Por outro lado, hoje em dia muitos machos das sociedades tradicionalmente Monogâmicas vão à procura de fêmeas Economicamente Fragilizadas [mais dóceis] oriundas de outras sociedades...

Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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