João Gomes de Almeida @ 03:38

Qui, 08/12/11

Hoje tive uma noite irracional, daquelas em que parece que não há crise - o lado racional está meio arrependido, confesso.

 

Posso dizer que já não saía há algum tempo em Lisboa, no máximo era rapaz para pegar na miúda e ir beber uns copos a um bar. Mas reconheço que esta Lisboa me parece outra Lisboa. A crise, incompreensivelmente, parece ter arrumado melhor a noite da cidade, tudo está mais calmo, na medida do possível, e no geral melhor.

 

Jantámos no Snob, onde agora há um agradável menu de bom gosto a 12 euros, em que o meio-bife (que chega bem para qualquer matulão do meu tamanho) acompanha com um copo de tinto (a miúda bem tentou pedir branco), mais pão e café (de saco unicamente, como é tradição). Depois descemos o Príncipe Real até ao Bairro Alto (infelizmente cada vez mais degradado e degradante) para um copo e lançamento do "Meu Pipi", feito pelo Miguel Guilherme, no Frágil.

 

Já que falo do Frágil, convém dizer que é dos únicos sítios da noite de Lisboa onde me sinto bem (mandem lá a piadola). Ambiente relaxado, sem gente a mais para o espaço, onde se pode sentar e falar, mas também dançar e beber, encontrar pessoas e discutir coisas. No geral a música é boa e por vezes convida até a discussões, onde me sinto quase sempre excluído por manifesta iliteracia musical.

 

Há meia-noite virei a cadeira e dei um beijo, um abraço e outro beijo, a data merecia e daí o irracional da noite. É bom estarmos felizes juntos de quem gostamos e nos sítios dos quais gostamos. O Carlos Tê escreveu que "não se ama alguém que não ouve a mesma canção", eu aconselharia antes a não nos apaixonarmos por quem frequenta os sítios dos quais não gostamos.

 

A vida é feita de desencontros mas acredito que ainda mais de encontros. O grupo do costume, juntamente com as pessoas que não são do costume, nem do grupo, mas que pareciam ser do grupo e do costume  (que a esta hora da noite acredito que até já sejam), voltou a descer o Bairro. Fomos ao aniversário do Music Box que esse sim não dá margem para questionarmos o nível de selecção musical (obra e graça do Alex Cortez). Tenho a dizer que foi bom, muito bom, como sempre.

 

Nesta última descida nasci para aquilo que é o novo Cais do Sodré. Há muito pouco tempo um sítio mal frequentado e de fama duvidosa, hoje o sítio mais em voga da movida lisboeta. As pessoas desfilavam naquela enorme passadeira cor-de-rosa e eu abraçava a miúda, alegre (penso eu) na comemoração de tão importante data. Por momentos, vários, diga-se, senti-me fora de Lisboa e pensei estar por entre as Ramblas - sempre que despertava do sonho sorria para dentro e orgulhava-me por viver em Lisboa, nesta nova cidade do Cais do Sodré.

 

A paixão é coisa trôpega, que nos prende os movimento cerebrais. Talvez por isso e pela data em questão, esta noite em Lisboa tenha parecido tão especial, tão amiga e romântica. Mas amarmos é isto mesmo, é sermos felizes ao redescobrirmos as ruas já mil vezes pisadas pelos nossos mesmos dois pés, que agora nos trocam as contas por se tornarem quatro.

 

 

Também publicado no Forte Apache



Luis @ 22:34

Qui, 08/12/11

 

Inveja!

Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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