Ana Santiago @ 00:15

Seg, 09/01/12

Não creio que alguma vez descubra a cura para uma doença ou invente alguma coisa verdadeiramente útil ao mundo. Tão pouco acho possível convencer alguém que a roda não foi inventada desenhando uma jante qualquer xpto. Não faço tunning à realidade.

A única coisa a que dou assistência é à constatação de coisas. É mais ou menos como saber que tenho de deixar de fumar e de abdicar do glúten, mas só num certo dia, sem que ninguém me chateie com o assunto, é que vou acordar com essa verdade inscrita e escarrada em todas as células do meu corpo. E será uma descoberta. Às vezes é como o Cabo das Tormentas; ele existia desde sempre, mas fomos nós que o dobrámos e lhe demos um nome.

 

A minha mais recente descoberta tem um nome longo: Esperar o melhor de uma pessoa não é a mesma coisa que ficar à espera do melhor dessa pessoa.

Esperar o melhor de uma pessoa é gostar dela. Muito. É acreditar que ela pode conquistar o mundo, ser boa, ser a melhor no que faz, ser um Mandela, um Gandhi, um Sinatra, uma Madre Teresa, um Jorge Luís Borges. É ir para a primeira fila e fazer claque, levar cartazes de apoio e gritar estou contigo, és o(a) maior!

Ficar à espera do melhor dessa pessoa é como gostar do brasileiro Sócrates, mas antes do álcool; do Fernando Pessoa, mas só se tivesse casado e tido filhos com a Ofélia; do Kennedy, mas sem ter encornado a Jacqueline; da Amy Winehouse, mas sem se ter metido nas drogas. É gostar dela, mas na dependência do muito melhor que ela pode ser.

Gostar de alguém é na maioria das vezes, admitamos, eu admito, gostar do mais alto potencial desse alguém. Ficamos apaixonados pelo
que sabemos ele(a) ser capaz de atingir – a perfeição como a concebemos. Não necessariamente a perfeição no sentido literal da palavra (ninguém quer
santos), mas tal e qual como imaginámos que essa pessoa seria se fosse perfeita. Até os defeitos que lhe são permitidos nós definimos, porque há defeitos com muita piada…

Investimos depois na monitorização da sua existência, e da sua existência connosco, estabelecendo indicadores de gestão corrente, medindo avanços e recuos, magicando gráficos de eficiência. Um desperdício tão grande de energia, a fazer contas e a gerir expectativas, que acabamos estoirados e, o que é o mais grave de tudo, sem trabalharmos na nossa própria perfeição.

Ninguém gosta de ser metido num gráfico ou num tubo de ensaio, ter sempre alguém a olhar para o que podemos ser, em vez de apreciar, degustar e amar o que somos e ao que sabemos. Há relações que são “como água para chocolate”. Uma grande dor de barriga. Há outras que são mel em cima de tarte de maçã acabada de sair do forno. Uma grande dor de barriga também. Cada um tomará as dores que quer. Não são todas iguais. Entre o prazer e o masoquismo. Entre o esperar ou o ficar à espera.





Chiquelette @ 00:01

Sex, 13/01/12

 

Esperar a perfeição é inevitável, e cansa que se farta! As expectativas são tramadas, e o mundo (e as relações) era tão mais simples sem elas... mas não teria piadinha nenhuma. Somos assim mesmo, imperfeitos. A piada é essa! :)

Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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