Nuno Miguel Guedes @ 20:25

Qua, 21/09/11

É provável que ao longo de toda a nossa vida o desafio seja o mesmo: conseguir dizer o que realmente pensamos, o que realmente sentimos. Na verdade, trata-se apenas disto: com as palavras superar as próprias palavras, nas suas limitações gráficas, sintáticas e tristes que mal as colocamos no papel nos travam naturamente o tudo que queríamos dizer. 

 

Nunca conseguirei dizer «amo-te» ou «quero-te» como realmente o sinto. Nunca. Ao princípio não é nunca o verbo, é um mistério qualquer a que por conveniência chamamos alma. E que depois, com sorte ou talento, tenta-se chegar o mais próximo possivel  ao que as palavras e as suas fronteiras querem dizer. 

 

É por isso que gosto de polaroides. Como as palavras, elas apenas reflectem instantes eternos, muitas vezes profundos, outras fúteis - mas sempre verdadeiros. Não vejo maior ambição do que essa e é isso que tento fazer sempre que escrevo, mesmo qundo isso se limita ao que chamamos ganhar a vida. 

 

«Todas as palavras me incomodam», dizia Cioran, que apesar de não ser o mais optimista dos seres humanos sabia que mesmo o pessimismo tem de ser escrito. Também a mim, porque sei que a pureza - e toda mas toda a liberdade - reside apenas no que não se diz. No silêncio. Tudo tende para lá e o desafio - outra vez - é fazer com que o que se escreve se vpareça o mais possivel com o silencio onde tudo se sente. Há quem consiga isso, quem tenha conseguido:«Um mover d'olhos, brando e piedoso,»: eis o exemplo de uma perfeita polaroide escrita, onde tudo se vê e as palavras tudo silenciam. Há esperança, portanto.

 

Voltando ao que disse, enfatizo: são as palavras que me fazem ganhar a vida. E não estou a falar de remunerações outras senão a própria vida vivida. Assim aqui me compreendam.




Pedro @ 12:59

Qui, 22/09/11

 

Bom dia,

O Polaroid está em destaque nos Blogs do SAPO, em http://blogs.sapo.pt

Parabéns e boa continuação para o vosso blog!

Pedro

2 linhas @ 14:26

Qui, 22/09/11

 

Totalmente de acordo. Belissimo post!


Sara @ 14:54

Qui, 22/09/11

 

Parabéns pelo destaque!


Nuno Miguel Guedes @ 16:52

Qui, 22/09/11

 

Muito obrigado: pelo destaque no Sapo, Pedro; pela vossa atenção e bondade, 2Linhas e Isaa.:) Continuem a passar por cá:)

João Afonso Machado @ 17:13

Qui, 22/09/11

 

Absolutamente de acordo. Além de um instrumento utilissimo, a palavra escrita é uma arte quando bem escrita.
Parabéns pelo blog. Apanhei-o no destaque do Sapo e vou linká-lo.
Já agora, apresento o meu: MACHADO, JA (http://jamachado.blogs.sapo.pt)
Cumprms.

George Sand @ 09:05

Sex, 23/09/11

 

Não há palavras sem a respiração dos silêncios.
Só o temo, na sua descompassada existência, entre o que já se foi (a memória) e a projecção do que está para vir( o futuro) a escorregar-mos indefinidamente pala palma da mão, permite esse elaborar/deselaborante, tantas vezes, do discurso. Quer falado, quer escrito.

Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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