José Maria Barcia @ 14:29

Seg, 12/03/12

Guilherme, Zé e Avó,

Hoje derramei todas as cores que outrora vi, todas as sementes que semeei, as estrelas que alcancei, todas as paisagens que assisti ou as tristezas que vivi, Caiem de dentro de mim. . . Agarro-as, desesperado como nunca estive, mas como água elas fogem das minhas mãos inúteis e continuam a derramar do meu interior já vazio para o chão seco. Sinto-me fraco, mas não fico por aqui, sonho ingenuamente que não os perdi.

Desapareceram muito antes de eu reagir, sugados pela terra ou evaporados para o céu. Restam-me gotas nas minhas mãos e derramo agora lágrimas por ti mãe.
Sorte a minha de me restarem gotas, pois essas gotas tão enormes que realmente são, três anos depois, fazem-me sorrir de novo e fazem-me chorar de novo.

Ninguém sabe tanto quanto eu o que vocês sentem, tal como, ninguém sabe tanto quanto vocês o que eu sinto.

Ao vosso lado sinto-me inteiro, sinto que a mãe existe e nessas alturas ela está feliz, sei que sim, por criar pessoas como nós, os filhotes, porque se ela olhar para vocês como eu o faço, ela vê pessoas espectaculares.

 

Francisco Barcia

10 março 2012




José Maria Barcia @ 17:32

Sex, 09/03/12

 

Faz hoje 3 anos que a nossa irmã nasceu com o preço que isso teve.

 

Faz hoje 3 anos que nós tivemos que lidar com algo que não é suposto lidarmos com esta idade.

 

E já passaram 3 anos e nós aqui estamos.

 

Hoje o dia é feliz por causa da Camila, é triste por causa da Mãe. Temos saudades dela e eramos capazes de tudo para a ter de volta. Mas isso não pode ser. E nós continuamos cá.

 

E faço-vos uma confissão: estou há 3 anos para escrever um texto que vos dedicasse. Hoje é o dia porque não há melhor data que a de hoje. E se pudesse tirar a mágoa que vos sentem, não hesitaria um segundo.

 

Francisco e Guilherme, nós os 3 chorámos e continuamos a chorar. E isso faz bem. Faz bem ter saudades da Mãe porque assim não nos esquecemos do que ela nos ensinou. Nunca pensem que estão sozinhos. Nunca estarão. Eu não vou deixar. A Mãe já não está cá mas eu continuo cá e não vou deixar que nada vos aconteça. E a Camila está a crescer e vai precisar dos irmãos mais velhos.

 

Quando chorarem de saudades, consigam sorrir no fim. Sorriam pela Mãe e por mim. É um favor que vos peço.

 

A Camila nasceu há 3 anos. O preço foi a Mãe. E andámos aqui a tentar perceber porquê, porque raio não foi outra pessoa qualquer mas não vale a pena sentir isso. Sintam orgulho. Emocionem-se. Sejam felizes como ela queria. Podem ter a certeza que não havia nada mais que ela queria do que ver os filhotes felizes. Eu sei isso e vocês os dias também.

 

Este é o dia triste e vai sê-lo para sempre. Mas não precisa de ser só triste. Nasceu a nossa irmã. E é a nossa irmã mais nova. Como vocês são os meus irmãos mais novos. É a nossa obrigação ensiná-la quem foi a Mãe. Para que um dia a Camila possa ter a sorte em conhecer a Mãe. Como nós tivemos.

 

Perdoem-me se não cumpri a minha função de irmão mais velho quando devia. Eu não consigo sozinho. Preciso da vossa ajuda.

 

Um forte abraço do, para sempre vosso, irmão mais velho que nunca vos vai deixar sozinhos




José Maria Barcia @ 06:30

Ter, 21/02/12

O preconceito é um arma de defesa contra o desconhecido. Cria-se preconceitos quando não sabemos o que vamos enfrentar. Esteoreotipamos quando precisamos de saber em quê batalhar. É racional criar uma ideia de alguém que não conhecemos.

 

Por clareza, não falo do preconceito básico, como aquele que motiva o racismo ou estereotipo que vai dar ao xenofobismo. Não. Pode-se até dizer que é um tipo de preconceito inteligente. Aquele que criamos a uma pessoa e não a uma raça ou um credo ou a outra coisa qualquer.

 

Esta é a história daquele que criou um preconceito face ao estereotipo criado de antemão a outra pessoa. E um dia surpreendeu-se. Ficou sem resposta, ficou sem saber o que fazer. Ao sair da sua área de conforto ficou desamparado. Como este texto: desamparado.

 

Este texto não faz sentido. Faria sem não tivesse existido uma conversa anterior. Faria todo o sentido do mundo se fosse original. Este é um texto fácil pois é uma reprodução de uma conversa.

 

Este texto não vale a pena ser lido. Fale a pena ser dito e ouvido. Aliás, escrever é um acto medroso. Palavras caras, figuras de estilo, tudo e mais um bocado para embelezar uma ideia que dita não parece tão bela. Falar não é fácil, fácil é escrever.

 

De que vale escrever quando amanhã podes dizê-lo?




José Maria Barcia @ 14:19

Ter, 14/02/12

Hoje é dia 14 de Fevereiro, dia dos namorados. Até aqui não há novidade.

 

Hoje, todos os textos serão de apologia ao amor ou de crítica à comercialidade deste dia. Ou porque hoje imensas relações brotam da escuridão do segredo, ou porque hoje é preciso ir comprar qualquer coisa para a cara-metade. Há ainda a versão do dia dos namorados dos solteiros e solteiras desse mundo, conhecidos, neste dia, como os ''encalhados''. Por pura honestidade intelectual tenho que admitir que me encontro nos últimos. Por favor, não quero convites para jantar, nem declarações nem flores. Se bem que um misto das três coisas não fazia mal a ninguém. A sério, meninas, don´t be shy.

 

Ora, voltando ao tema. O dia de hoje afigura-se tendo apenas duas soluções: ou se ama ou se odeia amar os enamorados. Os primeiros porque olham para este dia como o Natal das relações. É dia especial de espalhar, mostrar, declarar o amor. Por outro lado, os solteiros que não conseguem ver demonstrações públicas de amor. Esses dizem mal dos primeiros mas no fundo a invenja é muita. É como passar um Natal sozinho.

 

Por mais comercial que seja o dia dos namorados, não interessa muito a quem nele participa. Ir jantar, trocar umas lembranças e a surpresa à espera do fim da sobremesa. E se com isso ele ou ela gastarem metade do ordenado desse mês, o que interessa?

 





José Maria Barcia @ 06:24

Sab, 11/02/12

O Amor não pode ser tão absoluto como outros valores como a vida ou a dgnidade humana. O amor pode ser relativo mas não deixa de ser um dos mais importantes valores que cada um pode ter.

 

Cada um ama da sua maneira e com a sua intensidade. Para uns envolve flores, chocolates e beijinhos. Para outros, apenas um olhar significa um amor do tamanho do mundo.

 

Ainda há, aqueles pobres coitados, que não sabem o que é o Amor. Confundem-no com tanta coisa. Tanta e tão acessória coisa. Desses tenho pena. Não serão felizes. Mais feliz é aquele que sofre por Amor que aquele que nem sabe o que Amor é.

 

Amor, o meu verdadeiro, é aquele que faz parar o universo. É aquele que num primeiro beijo o mundo para. Tudo fica imóvel. Mas engane-se quem acha que isto é fantasia. O amor verdadeiro é tão raro que quando acontece o mundo para mesmo. Niguém entende mas acontece.

 

O primeiro beijo, imobilizador do universo, tem força indestrutível. Qual bomba atómica qual quê ao pé de um primeiro beijo.

 

O Amor tem de doer. Para que seja uma sensação agradável é preciso ter uma sorte enorme. O Amor é o único fio conduzido pelo destino. Daí a sorte.

O Amor é luta. E, normalmente, uma pessoa magoa-se numa luta. Leva nos cornos, diga-se. E outra vez, com sorte ganha.

O Amor só é lindo no fim. Na concretização, na conclusão do sentimento. No fundo, quando passa a partilha. E para isso é preciso sorte.

 

É tal a sorte que quando se ama alguém verdadeiramente, é fruto do acaso, logo a sorte, ter conhecido essa pessoa. Ninguém ama aquele ou aquela que conheceu porque estava combinado. Não. O Amor é suposto ser imprevisível. Aquela amiga que nunca considerávamos capacidade para amar, aquelaconhecida do fundo da rua, aquela desconhecida que afinal não é tão desconhecida.

 

O amor, além de fortuito, é sacana. Nunca ninguém se apaixonou por quem devia. Nunca ninguém se apaixonou com quem devia.

 

E por aqui fico que estou cansado e quero dormir.

 

Há-de vir a segunda parte deste texto, quiçá, breventemente.


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Ana Santiago @ 23:35

Qui, 09/02/12

A Inês Meneses, generosa radialista e talentosa comunicadora, que dá fogo ao éter nas manhãs da rádio Radar, partilhou hoje no Facebook a resposta que, ao fim de seis anos do programa 'Fala com Ela', recordou com mais prazer: "Pergunto a Paula Rego o que a terá aproximado do marido Victor Willing, e ela responde apenas - Sexo!".

A Inês, que admiro por amar a rádio, a música e o poder das palavras (e a rádio em Portugal tem esquecido tantas vezes a importância das palavras...), consegue sempre dizer coisas que me remetem para outras, num delicioso exercício de intertextualidade.

O seu maravilhoso post de hoje (que arrecadou mais de 100 likes) veio colocar a cereja em cima de um bolo cozinhado durante o final da minha última noite, em que discutia precisamente a importância do sexo nas relações.

Costumo dizer que é 70 por cento de uma relação. Exagero, dizem-me. Não é, digo. E espero ainda no lar estar a defender esta percentagem que só poderá igualar-se em importância à que eu defendo que a cultura, a educação, a saúde e o turismo deviam ter nos orçamentos de estado.

Não nos ligamos, amamos ou aproximamos de alguém só porque o sexo é bom, mas o sexo só é bom se estivermos ligados a esse alguém. E há coisas que ou são ou não são, e nem vale a pena perder tempo a pensar nos 'ses'. É uma questão de energia, só para simplificar, que agora não estou com cabeça para entrar em espiritualidades.

O *bom sexo não é garantia de nada, não é garantia de amor ou de afecto - pode até não ser mais do que a base de uma muito divertida e compensadora "amizade erótica", como subscreve o Alberoni -, mas o mau sexo é a maior garantia de que uma relação está votada ao insucesso, ou àquilo que substitui o insucesso, quando não se quer terminar uma relação: Infelicidade.

O que levou a Paula Rego ao marido é o que nos leva a todos. Podemos depois ficar ou partir, mas se nunca houver bom sexo nunca chegaremos a estar. A 100 por cento, que é a percentagem que realmente interessa no amor. 

 

* O que é bom sexo? Toda a gente sabe (e cada um sabe de si).

 



Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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