José Maria Barcia @ 06:24

Sab, 11/02/12

O Amor não pode ser tão absoluto como outros valores como a vida ou a dgnidade humana. O amor pode ser relativo mas não deixa de ser um dos mais importantes valores que cada um pode ter.

 

Cada um ama da sua maneira e com a sua intensidade. Para uns envolve flores, chocolates e beijinhos. Para outros, apenas um olhar significa um amor do tamanho do mundo.

 

Ainda há, aqueles pobres coitados, que não sabem o que é o Amor. Confundem-no com tanta coisa. Tanta e tão acessória coisa. Desses tenho pena. Não serão felizes. Mais feliz é aquele que sofre por Amor que aquele que nem sabe o que Amor é.

 

Amor, o meu verdadeiro, é aquele que faz parar o universo. É aquele que num primeiro beijo o mundo para. Tudo fica imóvel. Mas engane-se quem acha que isto é fantasia. O amor verdadeiro é tão raro que quando acontece o mundo para mesmo. Niguém entende mas acontece.

 

O primeiro beijo, imobilizador do universo, tem força indestrutível. Qual bomba atómica qual quê ao pé de um primeiro beijo.

 

O Amor tem de doer. Para que seja uma sensação agradável é preciso ter uma sorte enorme. O Amor é o único fio conduzido pelo destino. Daí a sorte.

O Amor é luta. E, normalmente, uma pessoa magoa-se numa luta. Leva nos cornos, diga-se. E outra vez, com sorte ganha.

O Amor só é lindo no fim. Na concretização, na conclusão do sentimento. No fundo, quando passa a partilha. E para isso é preciso sorte.

 

É tal a sorte que quando se ama alguém verdadeiramente, é fruto do acaso, logo a sorte, ter conhecido essa pessoa. Ninguém ama aquele ou aquela que conheceu porque estava combinado. Não. O Amor é suposto ser imprevisível. Aquela amiga que nunca considerávamos capacidade para amar, aquelaconhecida do fundo da rua, aquela desconhecida que afinal não é tão desconhecida.

 

O amor, além de fortuito, é sacana. Nunca ninguém se apaixonou por quem devia. Nunca ninguém se apaixonou com quem devia.

 

E por aqui fico que estou cansado e quero dormir.

 

Há-de vir a segunda parte deste texto, quiçá, breventemente.


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José Maria Barcia @ 03:39

Qui, 09/02/12

Seja por sinceridade ou por excesso de gin (dificilmente se distingue) é possível chegar a um estado de sorriso. Entenda-se por sorriso aquele estado de felicidade efémera, como o título diz.

 

Esta dita felicidade vem da conversa, do desabafo, da partilha. Vem do amor, com caixa baixa porque o amor com caixa alto é muito mais complicado. Esse amor traduz-se na partilha de vida com outros. Vem da amizade. E a amizade pode ser recente, muito recente ou longo como o raio. Não interessa. Amarás quem te apetecer. Por que motivo te apetecer. Porque sim, no fundo. Assim de um modo piegas porque é a ser piegas que a malta se entende.

 

Hoje estava mal e falei e bebi. Uma sem outra não funciona. Se só falares sem beber não chegas a nenhuma conclusão. Ou melhor, até chegas mas não entra, diga-se. Se só beberes sem falar entras numa espiral depressiva. O que é uma maçada auto-explicativa.

 

Voltando ao título, agora sorrio. Não interessa o meu drama actual. Há-de interessar, amanhã, e possivelmente de ressaca. Agora, neste presente, o sentimento é felicidade de sorriso. Aquele estado que te põe um sorriso na cara, mantém e prolonga.

 

E, no fundo, é disto que cada um vive. Da busca e espera desse sorriso. Daquele instante em que o sorriso não vai embora, que nada mais interessa, que o universo pára. Tal e qual um primeiro beijo.

 

E agradece a quem tiveres que agradecer quando a noite acabar com ''Para ti, um abraço''. Significa que vales a pena. Significa que vales qualquer coisa. E aí, quando e se chegares aí, já és mais que muitos. És alguém.




João Gomes de Almeida @ 00:22

Seg, 23/01/12

Em matéria de casamentos, o povo português é realmente o melhor do mundo. Todos temos uma opinião a dar e todos temos igualmente um episódio a contar. Para o comprovar, convido o estimado leitor a fazer uma pesquisa no Google Portugal (restringindo a mesma apenas a sites do nosso país) sobre a palavra "casamento" - rapidamente ficará surpreendido ao reparar que existem dez milhões e duzentos mil sites a falar sobre o assunto. Ou seja, existem tantos portugueses em Portugal, como portugueses a falarem do casamento na internet. Por outro lado, se fizermos a mesma pesquisa com a palavra "divórcio", apressadamente percebemos que só há um milhão trezentos e oitenta mil sites a referirem o mesmo. Pouco mais há a dizer, somos românticos, piegas, pirosos e antiquados o quanto baste, e ainda bem.

 

A verdade é que os hábitos mudaram e a juventude é o seu reflexo. O mundo é mais liberal e os casais ainda mais, namora-se muito, saímos tarde de casa dos nossos pais e nunca pensamos em casar. Aí é que o leitor se engana. Nós portugueses, jovens portugueses, continuamos a casar - mesmo em situação de crise, com empregos precários, vidas remediadas e futuros incertos. A bem da verdade, também existem mais divórcios, mas de que interessam? Recordo, dez milhões e duzentos mil de nós escrevemos na internet sobre casamento e apenas um milhão e tal é que escreve sobre o divórcio. Os românticos venceram, ponto final.

 

Mas já agora. O estimado leitor já pensou no porquê disto ser assim? É verdade, outra vez o estúpido do amor. Certo dia, vamos a um encontro de trabalho beber uns copos com profissionais da nossa área, metemos conversa com uma formosa rapariga e pedimos que nos segure o copo enquanto acendemos o cigarro. Aí o mundo como que se altera, as prioridades invertem-se e tempos depois estamos a pesquisar no Google sobre "casamento".

 

Agora, quando acabar este texto, já serão dez milhões duzentos mil e um sites a falar sobre o casamento em Portugal. Pois é, aqui estou eu, romântico, piegas, piroso e antiquado, mas apaixonado o quanto baste. Não se preocupe caro leitor, não tarda e entrará também para esta lista - tenha cuidado a quem pede para segurar o seu copo enquanto acende o cigarro.




João Gomes de Almeida @ 03:38

Qui, 08/12/11

Hoje tive uma noite irracional, daquelas em que parece que não há crise - o lado racional está meio arrependido, confesso.

 

Posso dizer que já não saía há algum tempo em Lisboa, no máximo era rapaz para pegar na miúda e ir beber uns copos a um bar. Mas reconheço que esta Lisboa me parece outra Lisboa. A crise, incompreensivelmente, parece ter arrumado melhor a noite da cidade, tudo está mais calmo, na medida do possível, e no geral melhor.

 

Jantámos no Snob, onde agora há um agradável menu de bom gosto a 12 euros, em que o meio-bife (que chega bem para qualquer matulão do meu tamanho) acompanha com um copo de tinto (a miúda bem tentou pedir branco), mais pão e café (de saco unicamente, como é tradição). Depois descemos o Príncipe Real até ao Bairro Alto (infelizmente cada vez mais degradado e degradante) para um copo e lançamento do "Meu Pipi", feito pelo Miguel Guilherme, no Frágil.

 

Já que falo do Frágil, convém dizer que é dos únicos sítios da noite de Lisboa onde me sinto bem (mandem lá a piadola). Ambiente relaxado, sem gente a mais para o espaço, onde se pode sentar e falar, mas também dançar e beber, encontrar pessoas e discutir coisas. No geral a música é boa e por vezes convida até a discussões, onde me sinto quase sempre excluído por manifesta iliteracia musical.

 

Há meia-noite virei a cadeira e dei um beijo, um abraço e outro beijo, a data merecia e daí o irracional da noite. É bom estarmos felizes juntos de quem gostamos e nos sítios dos quais gostamos. O Carlos Tê escreveu que "não se ama alguém que não ouve a mesma canção", eu aconselharia antes a não nos apaixonarmos por quem frequenta os sítios dos quais não gostamos.

 

A vida é feita de desencontros mas acredito que ainda mais de encontros. O grupo do costume, juntamente com as pessoas que não são do costume, nem do grupo, mas que pareciam ser do grupo e do costume  (que a esta hora da noite acredito que até já sejam), voltou a descer o Bairro. Fomos ao aniversário do Music Box que esse sim não dá margem para questionarmos o nível de selecção musical (obra e graça do Alex Cortez). Tenho a dizer que foi bom, muito bom, como sempre.

 

Nesta última descida nasci para aquilo que é o novo Cais do Sodré. Há muito pouco tempo um sítio mal frequentado e de fama duvidosa, hoje o sítio mais em voga da movida lisboeta. As pessoas desfilavam naquela enorme passadeira cor-de-rosa e eu abraçava a miúda, alegre (penso eu) na comemoração de tão importante data. Por momentos, vários, diga-se, senti-me fora de Lisboa e pensei estar por entre as Ramblas - sempre que despertava do sonho sorria para dentro e orgulhava-me por viver em Lisboa, nesta nova cidade do Cais do Sodré.

 

A paixão é coisa trôpega, que nos prende os movimento cerebrais. Talvez por isso e pela data em questão, esta noite em Lisboa tenha parecido tão especial, tão amiga e romântica. Mas amarmos é isto mesmo, é sermos felizes ao redescobrirmos as ruas já mil vezes pisadas pelos nossos mesmos dois pés, que agora nos trocam as contas por se tornarem quatro.

 

 

Também publicado no Forte Apache




João Gomes de Almeida @ 00:31

Qua, 30/11/11

O amor que sentimos por quem amamos pode e deve ter uma definição política, que não tem que ser necessariamente a nossa orientação política. Durante os últimos dias tenho reflectido bastante sobre o assunto. Alguns de nós somos uma espécie de anarco-sindicalistas, principalmente quando refilámos dos sogros que temos, outros são fascistas, quando deixam que o ciúme se transforme em possessão. Há inclusive seres que são um tipo de democratas-cristãos de índole sexual, atrevendo-se pouco a experimentar coisas novas e tendo algum pudor em falar com a sua paixão sobre o assunto.

 

Eu a ter uma ideologia no amor - e sabendo que todos temos uma - acho que sou marxista-leninista-trotskysta-morenista. Ora vejamos, abstenho-me de perder muito tempo a explicar a dialéctica marxista, mas aqui vai: defendo a igualdade, ou seja, o comunismo do amor - acredito piamente na ditadura do proletariado aplicada aos sentimentos, em que todos lutamos contra o pior dos males: o amor capitalista e materialista, que neste momento, ameaça de extinção os longos e doces beijos à chuva e as cartas pirosas com frases roubadas ao Esteves Cardoso através do Google.

 

Esta coisa, chamada Google, aliás, transformou-se - não tenho medo do dizer - no Pravda do amor moderno, ou se preferimos, no livrinho vermelho do Mao que transportamos no bolso, mas agora em formato de telemóvel, para sacarmos sempre uma grande frase para conquistarmos quem amamos.

 

O leninismo amoroso já é outro passo. É a acção da paixão, a conquista do czar, a mobilização das tropas para que todos os Outubros sejam vermelhos como a rubra paixão. São todas as nossas forças materializadas nos camponeses e operários que se lançaram para a frente na conquista de S. Petersburgo. O amor é uma revolução leninista, não se trata de uma transição pacífica ou de um referendo popular, mas sim de um acto de rebeldia que só pode ser imposto pela violência dos sentimentos.

 

Agora que todos já estão pensar que sou um cunhalista do amor português é que chega o trotskysmo. O apelo da revolução permanente e internacionalista, que deve ser feita sempre e em qualquer lado. É a continuação do leninismo, a coragem de lutar sempre e todos os dias, para que o amor dê certo, para que a revolução nunca tenha um fim. Amar é fazê-lo todos os dias e se nos lembrássemos mais de Trotsky certamente que não existiram tantas zangas no amor.

 

O meu amor é mesquinho, por isso sou morenista. O morenismo é uma corrente trotskysta criada por Nahuel Moreno, líder revolucionário argentino e autor do livro "O partido e a revolução", que rompeu com a corrente dominante da IV Internacional trotskysta, liderada na época pelo belga Ernest Mandel. O motivo? Aí está o cerne da questão: o sandinismo na revolução da Nicarágua. Mas que raio, como é que um argentino e um belga se zangam por causa da Nicarágua? A verdade é que Nahuel Moreno, que já tinha pertencido à III Internacional, abandonou Mandel e fundou a LIT - IV Internacional. Também no amor sou assim, mesquinho o quanto baste para ligar a todos os pormenores e para me chatear e preocupar com tudo e mais alguma coisa.

 

No fundo, o meu amor talvez seja tão utópico como as ideias de Marx, Lenine, Trotsky e Moreno. Mas de qualquer forma, o meu amor é de quem acredita, de quem o vive como se fosse o maior dos objectivos políticos, a maior das causas e a maior das guerras. Amar é sermos isto mesmo, sonhadores, indecisos, irreverentes, revolucionários e utópicos, isso mesmo, utópicos.

 

Amo como quem se levanta todos os dias acreditando que vai mudar o mundo, ao teu lado, fazendo a nossa própria revolução.




João Gomes de Almeida @ 22:04

Sex, 28/10/11

 

Gostava que o mundo por momentos parasse. Gostava de sentar-me no teu colo, sim porque os homens também gostam de colo, e poder dizer-te o que sinto, com a mesma força com que me agarro às teclas do computador e escrevo este texto.

Adorava ser, só por esta noite, um mendigo estacionado num beiral da Gran Via, só para te ver passar, para expiar os teus movimentos e sorrir com a graciosidade com que levitas sobre a calçada suja, ao ritmo do som abafado e do calor de Inverno que reflecte a movida, aquela que te leva da Puerta del Sol para a Plaza Mayor - como que fugindo de mim para parte incerta.

Adorava que o mundo por momentos fosse só nosso, que as noites não tivessem fim e que a vida se limitasse a ser vivida. Adorava que o Guernica fosse mera imaginação de Picasso e que a guerra não fosse a mais podre invenção do homem - transportada para o presente através da guerra que é acordar para vivermos o dia a dia.

Nunca pedi uma vida fácil, eu sei, mas também nunca lutei para a ter, sempre gostei mais de curvas apertadas do que de rectas fáceis onde apenas temos que acelerar em frente, sem lombas, sem chuva e sem Inverno - aí está, sempre gostei mais da chata chuva do Inverno, do que do fácil calor do Verão. Tu, sempre foste como eu.

Amar não é fácil, amar-te também não e amares-me muito menos. Seremos sempre guerreiros e pilotos da nossa vida, indo sempre pelas curvas, até onde nos leva a vontade de encontrar-mos a nossa paz. No fim, morreremos, como todas as pessoas - mas teremos sido sempre nós, felizes, diferentes, apaixonados, rebeldes e essencialmente nós próprios - um todo, que me fez abandonar o singular a meio deste texto, para te dizer: amamo-nos. 

 

 

Amor, amor, las nubes a la torre del cielo 
subieron como triunfantes lavanderas, 
y todo ardió en azul, todo fue estrella: 
el mar, la nave, el día se desterraron juntos. 

Ven a ver los cerezos del agua constelada 
y la clave redonda del rápido universo, 
ven a tocar el fuego del azul instantáneo, 
ven antes de que sus pétalos se consuman. 

No hay aquí sino luz, cantidades, racimos, 
espacio abierto por las virtudes del viento 
hasta entregar los últimos secretos de la espuma. 

Y entre tantos azules celestes, sumergidos, 
se pierden nuestros ojos adivinando apenas 
los poderes del aire, las llaves submarinas.

 

Pablo Neruda

 

 

(da próxima vez vamos os dois, mas ao Chile, ter com o Pablo.)


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Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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