João Gomes de Almeida @ 18:25

Seg, 19/03/12

As melhores palavras sobre o nosso pai são aquelas que nunca escrevemos. Por muito pouco trôpega que seja a nossa escrita, torna-se sempre pequenina, quase inútil, perante a força do que gostaríamos de transformar em palavras bonitas o quanto bastem para poderem honrar o nosso pai. É sempre tudo tão redondo, lamechas e piegas, que poucos são aqueles que se atrevem a pôr em linhas o sentimento mais puro que temos dentro de nós: a filhelhidade

 

O Herberto dizia que "a mãe é mais alta coisa que um homem cria". Este verso é como que assassino, capaz de num tiro matar todos os argumentos possíveis sobre o sentido da vida. Ao nascermos, como nos diz Herberto, já cometemos o maior dos nossos feitos: fizemos nascer uma mãe. Tudo o resto é pura imagem, sacanagem e mundo, o resto do mundo. Os maiores seres da história da humanidade, por muito que tenham feito, nunca suplantaram o seu primeiro acto em vida - dar à luz a própria mãe.

 

No entanto, por norma, subestimamos a paternidade. Ser pai é bastante mais difícil do que ser mãe - digo-o sem nunca o ter sido. À mãe une-nos o cordão umbilical, as primeiras refeições, a ternura própria da maternidade e todo o imaginário que a humanidade foi construindo em volta da figura maternal. A Virgem Maria está em destaque na Sagrada Família, enquanto o pobre do José é arrastado para um espectro secundário. Sempre assim foi.

 

À mãe, na maioria das vezes, basta-o ser. Ser pai é um acto de conquista. Nunca deixará de ser um acto de afirmação, uma luta constante e desigual em competiçao com a mãe. Os pais não podem dar à luz, e é nesse momento que são empurrados para o papel secundário. Muitas vezes acabam por se transformar em actores principais - mas nunca nenhum o conseguiu sem muito esforço, suor e lágrimas.

 

O meu pai tem o mérito de nunca ter sido um actor secundário e nunca ter tentado obter o papel principal. Orgulha-me pensar que sempre substitui a rigidez e disciplina típicas da paternidade, pela ternura, carinho e apoio, típicos da amizade e do amor. Liderando o lar pelo exemplo e estando sempre ao meu lado, mesmo nos momentos em que eu não estava ao seu lado. Ensinando-me que no amor o mais importante é sermos incondicionais. Independente do que se tem em troca, dos erros, do passado e do resto da vida. Ser pai é isso mesmo, amar incondicionalmente.

 

Pai, é por ti que quero um dia também eu ser pai. Para continuar o que me ensinaste. Incondicionalmente. 


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Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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