José Maria Barcia @ 11:01

Qua, 26/10/11

Pegue-se nos 4 canais regulares da televisão portuguesa. Veja-se a programação para um qualquer dia semanal. De manhã, Jorge Gabriel e uma data de outros apresentam a Praça da Alegria na RTP,  a querida Júlia aos gritos na SIC, o ''Você na TV'' com o Goucha e a outra-que-agora-mudou-de-cor-de-cabelo-mas-antes-ficava-muito-melhor na TVI. Telejornais à hora de almoço, telenovela a seguir ao almoço, programa que parece uma repetição dos programas matinais, mais telenovelas, os programas pré-telejornal ao fim da tarde, telejornal e por fim, as grandes apostas para aquele período após o jantar e antes de dormir. Sem contar com os filmes que começam à meia-noite e as televendas.

 

Ora, por bem, diga-se que cada um tem o que merece. Só vê televisão quem quer e se há este tipo de programas é porque são vistos, economia de mercado, etc, etc, etc.

 

No entanto, e para quem não tem mais que os 4 canais, a escolha não é grande.

 

Voltemos à manhã televisiva: são programas populistas que não ensinam nada apesar de ser possível criar-se uma opinião falsamente justificada de quem os assiste. Ou porque chamam um especialista para fazer de reumatismo ou porque o mesmo ''especialista'' vai falar de política ou economia. Ou crimes, também já vi.

 

Depois, há o telejornal. Não quero entrar por aí.

 

Depois as telenovelas pós-almoço. Neste momento são a ''Revelação'' na RTP, ''Perfeito Coração'' e ''Alma Gémea'' na SIC e ''Ilha dos Amores'' na TVI. Fantásticas produções lusas e brasileiras, decerto.

 

Chegando aqui, já levámos com gritos e histerias, opiniões pouco formadas e sugestões para as hemorróidas nos programas da manhã, já ficámos um bocadito mais deprimidos com as notícias, e ligeiramente atordoados com as telenovelas. É hora, então, de voltar com os gritos, as coisinhas de nada da vida que merecem tempo de antena, as melhores receitas para o puré de batata com carne ou como fazer um ovo estrelado sem frigideira (pelo que percebi, usa-se o forno, papel de alumínio e uma coisa que parecia uma frigideira).  Mais parvoíce. É fast-food televisiva, barata, rápida e de difícil digestão.

 

Chega as 6 da tarde. Hora dos canais apresentarem os programas de peso. Há que cativar o público que chegou a casa. O ''Peso Certo'' na RTP, ''Morde e Assopra'' na SIC e ''Morangos com Açúcar'' na TVI. E é isto o melhor que têm?

 

Jornal da noite, mais más notícias.

 

Prontos para relaxar a seguir a um dia destes, a ver televisão o que quer o povo ver? O ''Elo mais Fraco'', gordos a correr de um lado para o outro e um programa qualquer de malta saída de um hospício. Deixemos a RTP de lado, pois sendo pública é a única com a programação pós-almoço menos estupidificante.

 

O ''Peso Pesado'' e a ''Casa dos Degredos'', perdão ''Segredos'' são um insulto a quem os vê. Pior, é um auto-insulto. ''Eu sou tão idiota que vejo esta bosta'' ou então ''Já nem quero saber, vou ver esta bodega''.

 

Eu já vi estes programas e juro que me estarreci. Se o primeiro é uma falta de consideração para quem participa o segundo pior é para os que lá têm ''missões'' dignas de um chavalo de 6 anos que na escola tem de fazer um teatro com os colegas. Se aquele se aproveita do excesso de peso dos concorrentes, este usa e abusa o défice de inteligência, o excesso de músculo, mamas e silicone dos que parecem o IKEA: eles armários, elas fáceis de montar.

 

Fiquei parvo com o que vi. Literalmente parvo. Deixei de conseguir falar ou executar algumas das actividades mais básicas. Felizmente recuperei rapidamente. Esta coisa de ver televisão todo o dia é muito perigoso. Principalmente sem MEO ou ZON. Ou Internet.

 




João Gomes de Almeida @ 11:38

Ter, 25/10/11

 

Com o Juiz Rui Rangel (Presidente da Associação de Juízes pela Cidadania), Virgílio Castelo (Actor, encenador, apresentador e ficcionista português.), João Palmeiro (Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa e da Confederação Portuguesa dos Meios de Comunicação Social), Diogo Anahory (Publicitário, Director Criativo e Partner da BAR. Um dos dois primeiros criativos portugueses a vencerem o Leão de Ouro no festival de publicidade de Cannes e júri do próximo Eurobest - The European Advertising Festival) e Ana Markl (Apresentadora do programa de televisão "Costeleta de Adão", no Canal Q).

  

QUINTA-FEIRA, 21H30 - PRÍNCIPE REAL - LISBOA 

 


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José Maria Barcia @ 16:51

Seg, 24/10/11

Já me disseram que não se deve ter medo. Já me disseram que se deve ser herói. Também já me disseram que se deve dar o peito às balas.

Dizem ainda que este mundo está cheio de cobardes. que estes não fazem nada, não saem de casa, não gritam nem esperneiam quando têm o direito e o dever de tal.

 

Dizem que as pessoas têm medo das consequências dos seus actos. Que há regras e limites que devem ser respeitados a todo o custo.

 

Mas depois aparecem os rebeldes, os que estão contra o sistema porque o sistema é dos outros. Os indignados deste mundo e aqueles que não se sujeitam a regras impostas pelos outros. Regem-se pelas suas próprias regras. Qualquer coisa como ‘’na minha vida mando eu, não me interessa os outros’’. Ora, acho muito bem. A vida está difícil e a situação vai piorando a olhos vistos. Mas há aqui um pequeno problema: quem são vocês? Estes anarca-rebeldes que têm as mesmas regras. São todos contra o sistema mas assim são vocês um sistema. São uma matilha de hienas controlados por uns mais inteligentes que a larga maioria. Vocês falam, gritam e queimam coisas. Fumam coisas estranhas à frente da AR. Que fixe. Que me dera ser tão rebelde. E inteligente. E já agora, ter a coragem de chamar todos os nomes possíveis a quem não conhecem. Melhor só mesmo instigar a violência. De um grupo de milhares para umas dezenas. E claro, para vos encontrar só na primeira linha de combate. Que fixe, pá!

Deixem-me que vos diga só uma coisa. É evidente a minha falta de capacidade para atingir um estado de cidadania como o vosso. Nunca terei tanta coragem como o mais medroso entre vós. E quem me dera ser tão rebelde e nunca aceitar críticas.

 

Os corajosos não fazem isso. Corajoso é aquele que não precisa de audiência para o ser. O verdadeiro rebelde não se esconde na multidão, essa massa de gente sem cara nem responsabilidade. Mais valor dou a uma pessoa que se mete à frente de um tanque sozinho e de dedo médio empunhado. Quantos de vós, meus caros,  seriam sequer capazes de enfrentar cara a cara quem insultam?

 

Claro que não se deve ter medo. Mas há mais coragem num pai ou numa mãe que criam os filhos sozinhos, ou num filho que trabalha em vez de estudar para ajudar os pais. Vocês não são indignados nem rebeldes. Esses sabem o que dizem e principalmente por que o dizem. Vocês não falam por eles e se o fizessem, coitados deles.

 

Betos com roupas mais fashion e cheiro a mofo não significa rebeldia.




teresanicolau @ 19:49

Dom, 23/10/11

Está difícil, deixar de falar sobre o assunto. Faz, de tal forma, parte da minha vida, que levanto-me e deito-me a pensar no mesmo. Estes "Portugueses Extraordinários"(RTP) que vou conhecendo, nem sempre são os mais visíveis. Ainda esta semana, a menina tinha apenas tamanho para ocupar uma daquelas pequeninas cadeiras de infantário, corpo franzinho e umas mãozinhas tremulas. Mas era menina para lá dos 6 anos, de voz forte e vontade de abraçar. Esse, o abraço, é sempre complicado, porque não nos queremos envolver demasiado, porque achamos sempre que a distância nos pode proteger. Não é verdade. A possibilidade desse mesmo abraço, não salva apenas quem o pede. Salva-me a mim, sempre que me estendem umas mãos desconhecidas.

A menina, chamemos-lhe Ana, assistia à entrevista a uma volutária de história dramática. Dois irmãos assassinados, uma amargura imensa, da qual se libertou quando decidiu na vida ajudar os outros. Aquela "coisa" de que a tragédia do outro pode sempre ser maior do que a minha, em mim, fez tremores. Pensei: como é possível, que dor imensa.  Mas havia outra. Uma tragédia terrível ali mesmo, ao lado. A Ana, do terror dos seus pouco mais de 6 anos, puxou a minha cara, com cuidado e delicadeza de borboleta e disse: "Tenho uma história para te contar. Mas não para as câmaras." E continuou. "No outro dia, bateram-me no meu pai. Estavamos a ir para casa e apareceu um homem que o agarrou e lhe bateu muito. Fiquei muito zangada e quis ir ter com o meu pai, mas as vizinhas agarraram-me e não me deixaram. Gritei e bati com os braços e com as pernas, mas elas seguraram-me. Ele bateu no meu pai e eu fiquei tão triste." Uma menina, de pouco mais de 6 anos, procurava defender o pai, toxicodependente.

Só pude oferecer o meu colo.

 

 

Esta, é uma história que não vai aparecer na televisão.

 

http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=28078&e_id&c_id=1&dif=tv

 

 




Tomás Vasques @ 22:52

Qui, 20/10/11

«Mudou o Governo, mas eu não mudei de opinião» – disse, ontem, o presidente da República à saída de um congresso de economistas. Fiquei a cismar na frase. Estava eu em meia sonolência, meia meditação, a pensar que uma frase destas, quase um programa de campanha eleitoral, não sai da boca do mais alto magistrado da Nação por acaso, tem de ter destinatários, quando me telefonou a minha prima Hermenegilda, mulher danada para estas coisas da intriga política. O que me vale é que ela é sempre muito sintética e nem me dá oportunidade de a contestar: olá – disse-me, como cumprimento, e continuou – percebeste que até o Cavaco Silva topa-os melhor que o António José Seguro. Hermenegilda? – Disse eu, numa tentativa de estabelecer o diálogo, mas ela, em voz acelerada, rematou: agora não tenho tempo. E desligou. Fico sempre irritado com estes telefonemas da minha prima Hermenegilda.




Nuno Miguel Guedes @ 17:18

Qua, 19/10/11

Uma querida amiga e blogger extraordinaire fez o favor de roubar tempo à sua vida para nos (voltar a ) deslumbrar com as suas palavras. Fez muito bem. Encontram-na aqui mesmo.



Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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