João Gomes de Almeida @ 02:18

Ter, 04/10/11

 

Rodrigo Leão & Lula Pena - Passion

 

 

Os grandes amores são os incompreendidos. Aqueles que ficam para a história e que de uma paixão se tornam ventres capazes de parirem estórias.

Os grandes amores são os amores proíbidos. Aqueles que os poetas carregam na bagagem e contam aos adolescentes ternorentos que sonham que um dia os proíbam de amar.

Os grandes amores são amores feitos palavras, romanciádos e passados de geração em geração. Aqueles que carregamos no peito como se de um punhal em ferida se tratassem.

Os pequenos amores, esses, são aqueles que se deixam subtrair pela futilidade. São os casais de que toda a gente gosta, que têm a bênção dos pais, das mães, dos avós, dos vizinhos, dos cães e dos peixes. São os amores do costume, tão amargos que rapidamente deixam de ter sabor. Não passam de um amor de pantufa, sossegadinho e com medo de ferir susceptibilidades. Esses amores são a merda a que a gente burra chama amor. 

Sempre que desejamos que o nosso amor se torne fácil, apenas o estamos a tornar mais fútil.


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João Gomes de Almeida @ 00:35

Ter, 04/10/11

 

Com tanta crise que para aí anda, com tão pouco dinheiro que nos abana no bolso, com tanta tristeza que torna o mundo num reflexo do nevoeiro da serra dos meus pais, poderia estar certo de que esse mesmo mundo iria acabar amanhã - por certo, ninguém me desmentiria. Viria logo o Vasco Pulido Valente dizer que eu é que tinha razão e que o mundo não só estava para morrer como, aliás, já havia morrido.

(...)

«Sr. Albino, por favor, mais um uísque.»

(...)

Vivemos tempos perigosos, propícios às mortes colectivas, aos holocaustos suicidas e às depressões sumárias, embaladas em caixões de mortos vivos - que à custa de prozacs ainda se passeiam pela rua com um ar cinzentão, como o nevoeiro da serra dos meus pais.

Mas com o tempo, fui aprendendo que todos somos mais ou menos malucos, tendencialmente suicidas e um tanto ou quanto homicidas do nosso bem-estar. Somos uma réplica constante de um tsunami sentimental que gostaríamos de ser - somos uma espécie de Antero de Quental mais ou menos, sem coragem para nos sentarmos no jardim e apertarmos o gatilho.

Somos a versão dos The Cure do novo século, mas desta vez sem pó de arroz e com menos melo dramatismo - agora é foleiro sofrer, é foleiro morrer de amores por quase nada - por isso mesmo, morremos para dentro e fazemos da nossa vida a crise em que se transformou a existência do nosso mundo.

Quantas vezes é que acordamos e pensamos: estou aqui a fazer o quê? Depois, tomamos banho e seguimos em frente, entramos no jogo vicioso do andar por andar, do estarmos aqui sem sabermos bem o porquê. Em pequeninos queríamos todos ser poetas, agora ficamos contentes em sermos aquilo que temos a sorte de ser - e convenhamos, já não é assim tão mau.

Há tempos descobri que a internet, ou como os geeks chamam "a rede", veio mudar um  pouco o mundo. Antes estávamos sozinhos com o nosso uísque, actualmente estamos sozinhos com o nosso uísque, mas em frente a um computador.

Antes, bebíamos uísque e pensávamos como era triste o mundo e as pessoas em geral, hoje pensamos o mesmo, mas temos a nossa timeline. E no twitter, ou no facebook, ou no blog, ou noutra rede qualquer, pensamos o mesmo e gritamos ao mundo: mundo és uma bela de uma merda! E o resto do mundo, que nos tem na timeline, faz um enorme "gosto", como que se de um "check-in" no nosso coração se tratasse. Aleluia! Agora já não estamos sós! Há mais quem à uma da manhã grite e "retuíte" o mesmo que nós estamos a pensar.

Não sei se "a rede" veio desvirtuar as relações pessoais, mas estou certo de que veio dar um novo fôlego à nossa vida. O Antero hoje sentar-se-ia no mesmo banco, apontaria a pistola à cabeça e na altura de apertar o gatilho o iPhone tocaria, a anunciar uma Direct Mensage do Twitter. O seu amor afinal queria voltar. Rapidamente poria o "Just like heaven" a tocar no Facebook e faria um check-in no Foursquare. Talvez até tivesse sido feliz.




Nuno Miguel Guedes @ 21:25

Seg, 03/10/11




teresanicolau @ 14:58

Dom, 02/10/11

Por razão que me preenche todos dias, costumo falar de pessoas que morreram sempre por aquilo que viveram. Nunca gostei de obituários, ainda que reconheça que é uma arte, que apenas poucos, como o embaixador Cutileiro, conseguem. Como nunca cheguei de perto, pego na experiência da vida e já está. Mas hoje não.

Morreu sim, o Duda Guennes e dito aqui, mais parece ter sido assídua leitora do jornal "A Bola" desde os anos 1980, em que escrevia, tendo sido o mais antigo cronista deste diário desportivo. Aconteceu sim, que conheci o Duda, nos corredores da lusófonia, quando África se ouvia todos os meus dias e a poesia deste senhor me chegava sempre em sorriso. Com a morte do Duda, desaparece também essa minha vida de ventos quentes, de frutas doces e peixes voadores, entre cores de Kiki Lima e riscos de Malangatana. Agualusa, sabe descrever, bem melhor do que eu. Mas essa coisa de ter ainda um mundo que já foi dentro de nós, é pesado. Tantas vezes, olho para objetos cá de casa, relanço memórias e penso: "aquela vela, comprei-a a pensar em ti". E deito-a fora? Com a morte do Duda, desfaço-me desse mundo que tanto gostei, não por desprezo, mas porque a angústia de já não o ter, me faz acordar à noite. E Duda era meu amigo. Daqueles que podem dizer tudo. Mesmo o maior elogio (def. pessoal desta palavra: sempre de desconfiar), mesmo de praia ou outra felicidade qualquer. O Duda era o meu Eduardo Prado Coelho do futebol. As histórias rolavam sempre como uma bola feliz e o árbitro poderia transformar-se numa anedota. Com o Duda, o treinador poderia ser um deus ou um Dom Juan, perdido no relvado, de olhos postos na bancada das moças. Mas também seria capaz de fazer chorar de emoção, por um relato de pés perfeitos. O Duda sabia. Que eu não sabia nada de futebol. E ainda assim, era meu amigo. Há anos que não vejo o Duda. E agora, não vou ver mais.

 




José Maria Barcia @ 06:19

Dom, 02/10/11

Era uma vez um senhor. Esse senhor não conhecia nada. Não sabia o que fosse nem tampouco queria ser mais. Esse senhor nunca chegou muito longe.

Do outro lado, havia o passageiro. Esse viajava por todo o lado. E conhecia e descobria e filmava e aprendia. Esse conhecia muito, era mais feliz.

 

A ignorância é uma bênção para quem quer. Para o viajante a ignorância destruía-o por dentro.

 

Ele viajava mas o que mais gostava era de chegar a casa. Ter os amigos, a família à espera dele. Porque chegar a casa tem sempre qualquer coisa.

 

Volta-se para o sitio onde se viveu mas há sempre qualquer coisa diferente. Apesar de ser tudo igual. Há saudade, alegria, alivio, tanto mais. Chegar a casa é bonito. É romântico.

 

''Welcome home'' deve ser das melhores expressões que se pode ouvir.




José Maria Barcia @ 14:27

Sab, 01/10/11



Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".
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