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Polaroid

Polaroid

12
Mar12

A resposta do meu irmão

José Maria Barcia

Guilherme, Zé e Avó,

Hoje derramei todas as cores que outrora vi, todas as sementes que semeei, as estrelas que alcancei, todas as paisagens que assisti ou as tristezas que vivi, Caiem de dentro de mim. . . Agarro-as, desesperado como nunca estive, mas como água elas fogem das minhas mãos inúteis e continuam a derramar do meu interior já vazio para o chão seco. Sinto-me fraco, mas não fico por aqui, sonho ingenuamente que não os perdi.

Desapareceram muito antes de eu reagir, sugados pela terra ou evaporados para o céu. Restam-me gotas nas minhas mãos e derramo agora lágrimas por ti mãe.
Sorte a minha de me restarem gotas, pois essas gotas tão enormes que realmente são, três anos depois, fazem-me sorrir de novo e fazem-me chorar de novo.

Ninguém sabe tanto quanto eu o que vocês sentem, tal como, ninguém sabe tanto quanto vocês o que eu sinto.

Ao vosso lado sinto-me inteiro, sinto que a mãe existe e nessas alturas ela está feliz, sei que sim, por criar pessoas como nós, os filhotes, porque se ela olhar para vocês como eu o faço, ela vê pessoas espectaculares.

 

Francisco Barcia

10 março 2012

09
Mar12

Dedicado aos meus irmãos, Francisco e Guilherme

José Maria Barcia

 

Faz hoje 3 anos que a nossa irmã nasceu com o preço que isso teve.

 

Faz hoje 3 anos que nós tivemos que lidar com algo que não é suposto lidarmos com esta idade.

 

E já passaram 3 anos e nós aqui estamos.

 

Hoje o dia é feliz por causa da Camila, é triste por causa da Mãe. Temos saudades dela e eramos capazes de tudo para a ter de volta. Mas isso não pode ser. E nós continuamos cá.

 

E faço-vos uma confissão: estou há 3 anos para escrever um texto que vos dedicasse. Hoje é o dia porque não há melhor data que a de hoje. E se pudesse tirar a mágoa que vos sentem, não hesitaria um segundo.

 

Francisco e Guilherme, nós os 3 chorámos e continuamos a chorar. E isso faz bem. Faz bem ter saudades da Mãe porque assim não nos esquecemos do que ela nos ensinou. Nunca pensem que estão sozinhos. Nunca estarão. Eu não vou deixar. A Mãe já não está cá mas eu continuo cá e não vou deixar que nada vos aconteça. E a Camila está a crescer e vai precisar dos irmãos mais velhos.

 

Quando chorarem de saudades, consigam sorrir no fim. Sorriam pela Mãe e por mim. É um favor que vos peço.

 

A Camila nasceu há 3 anos. O preço foi a Mãe. E andámos aqui a tentar perceber porquê, porque raio não foi outra pessoa qualquer mas não vale a pena sentir isso. Sintam orgulho. Emocionem-se. Sejam felizes como ela queria. Podem ter a certeza que não havia nada mais que ela queria do que ver os filhotes felizes. Eu sei isso e vocês os dias também.

 

Este é o dia triste e vai sê-lo para sempre. Mas não precisa de ser só triste. Nasceu a nossa irmã. E é a nossa irmã mais nova. Como vocês são os meus irmãos mais novos. É a nossa obrigação ensiná-la quem foi a Mãe. Para que um dia a Camila possa ter a sorte em conhecer a Mãe. Como nós tivemos.

 

Perdoem-me se não cumpri a minha função de irmão mais velho quando devia. Eu não consigo sozinho. Preciso da vossa ajuda.

 

Um forte abraço do, para sempre vosso, irmão mais velho que nunca vos vai deixar sozinhos

21
Fev12

Preconceito estereotipado

José Maria Barcia

O preconceito é um arma de defesa contra o desconhecido. Cria-se preconceitos quando não sabemos o que vamos enfrentar. Esteoreotipamos quando precisamos de saber em quê batalhar. É racional criar uma ideia de alguém que não conhecemos.

 

Por clareza, não falo do preconceito básico, como aquele que motiva o racismo ou estereotipo que vai dar ao xenofobismo. Não. Pode-se até dizer que é um tipo de preconceito inteligente. Aquele que criamos a uma pessoa e não a uma raça ou um credo ou a outra coisa qualquer.

 

Esta é a história daquele que criou um preconceito face ao estereotipo criado de antemão a outra pessoa. E um dia surpreendeu-se. Ficou sem resposta, ficou sem saber o que fazer. Ao sair da sua área de conforto ficou desamparado. Como este texto: desamparado.

 

Este texto não faz sentido. Faria sem não tivesse existido uma conversa anterior. Faria todo o sentido do mundo se fosse original. Este é um texto fácil pois é uma reprodução de uma conversa.

 

Este texto não vale a pena ser lido. Fale a pena ser dito e ouvido. Aliás, escrever é um acto medroso. Palavras caras, figuras de estilo, tudo e mais um bocado para embelezar uma ideia que dita não parece tão bela. Falar não é fácil, fácil é escrever.

 

De que vale escrever quando amanhã podes dizê-lo?

14
Fev12

Dia dos Namorados

José Maria Barcia

Hoje é dia 14 de Fevereiro, dia dos namorados. Até aqui não há novidade.

 

Hoje, todos os textos serão de apologia ao amor ou de crítica à comercialidade deste dia. Ou porque hoje imensas relações brotam da escuridão do segredo, ou porque hoje é preciso ir comprar qualquer coisa para a cara-metade. Há ainda a versão do dia dos namorados dos solteiros e solteiras desse mundo, conhecidos, neste dia, como os ''encalhados''. Por pura honestidade intelectual tenho que admitir que me encontro nos últimos. Por favor, não quero convites para jantar, nem declarações nem flores. Se bem que um misto das três coisas não fazia mal a ninguém. A sério, meninas, don´t be shy.

 

Ora, voltando ao tema. O dia de hoje afigura-se tendo apenas duas soluções: ou se ama ou se odeia amar os enamorados. Os primeiros porque olham para este dia como o Natal das relações. É dia especial de espalhar, mostrar, declarar o amor. Por outro lado, os solteiros que não conseguem ver demonstrações públicas de amor. Esses dizem mal dos primeiros mas no fundo a invenja é muita. É como passar um Natal sozinho.

 

Por mais comercial que seja o dia dos namorados, não interessa muito a quem nele participa. Ir jantar, trocar umas lembranças e a surpresa à espera do fim da sobremesa. E se com isso ele ou ela gastarem metade do ordenado desse mês, o que interessa?

 


11
Fev12

O meu amor, com A minúsculo

José Maria Barcia

O Amor não pode ser tão absoluto como outros valores como a vida ou a dgnidade humana. O amor pode ser relativo mas não deixa de ser um dos mais importantes valores que cada um pode ter.

 

Cada um ama da sua maneira e com a sua intensidade. Para uns envolve flores, chocolates e beijinhos. Para outros, apenas um olhar significa um amor do tamanho do mundo.

 

Ainda há, aqueles pobres coitados, que não sabem o que é o Amor. Confundem-no com tanta coisa. Tanta e tão acessória coisa. Desses tenho pena. Não serão felizes. Mais feliz é aquele que sofre por Amor que aquele que nem sabe o que Amor é.

 

Amor, o meu verdadeiro, é aquele que faz parar o universo. É aquele que num primeiro beijo o mundo para. Tudo fica imóvel. Mas engane-se quem acha que isto é fantasia. O amor verdadeiro é tão raro que quando acontece o mundo para mesmo. Niguém entende mas acontece.

 

O primeiro beijo, imobilizador do universo, tem força indestrutível. Qual bomba atómica qual quê ao pé de um primeiro beijo.

 

O Amor tem de doer. Para que seja uma sensação agradável é preciso ter uma sorte enorme. O Amor é o único fio conduzido pelo destino. Daí a sorte.

O Amor é luta. E, normalmente, uma pessoa magoa-se numa luta. Leva nos cornos, diga-se. E outra vez, com sorte ganha.

O Amor só é lindo no fim. Na concretização, na conclusão do sentimento. No fundo, quando passa a partilha. E para isso é preciso sorte.

 

É tal a sorte que quando se ama alguém verdadeiramente, é fruto do acaso, logo a sorte, ter conhecido essa pessoa. Ninguém ama aquele ou aquela que conheceu porque estava combinado. Não. O Amor é suposto ser imprevisível. Aquela amiga que nunca considerávamos capacidade para amar, aquelaconhecida do fundo da rua, aquela desconhecida que afinal não é tão desconhecida.

 

O amor, além de fortuito, é sacana. Nunca ninguém se apaixonou por quem devia. Nunca ninguém se apaixonou com quem devia.

 

E por aqui fico que estou cansado e quero dormir.

 

Há-de vir a segunda parte deste texto, quiçá, breventemente.

09
Fev12

até que o sexo nos separe

Ana Santiago

A Inês Meneses, generosa radialista e talentosa comunicadora, que dá fogo ao éter nas manhãs da rádio Radar, partilhou hoje no Facebook a resposta que, ao fim de seis anos do programa 'Fala com Ela', recordou com mais prazer: "Pergunto a Paula Rego o que a terá aproximado do marido Victor Willing, e ela responde apenas - Sexo!".

A Inês, que admiro por amar a rádio, a música e o poder das palavras (e a rádio em Portugal tem esquecido tantas vezes a importância das palavras...), consegue sempre dizer coisas que me remetem para outras, num delicioso exercício de intertextualidade.

O seu maravilhoso post de hoje (que arrecadou mais de 100 likes) veio colocar a cereja em cima de um bolo cozinhado durante o final da minha última noite, em que discutia precisamente a importância do sexo nas relações.

Costumo dizer que é 70 por cento de uma relação. Exagero, dizem-me. Não é, digo. E espero ainda no lar estar a defender esta percentagem que só poderá igualar-se em importância à que eu defendo que a cultura, a educação, a saúde e o turismo deviam ter nos orçamentos de estado.

Não nos ligamos, amamos ou aproximamos de alguém só porque o sexo é bom, mas o sexo só é bom se estivermos ligados a esse alguém. E há coisas que ou são ou não são, e nem vale a pena perder tempo a pensar nos 'ses'. É uma questão de energia, só para simplificar, que agora não estou com cabeça para entrar em espiritualidades.

O *bom sexo não é garantia de nada, não é garantia de amor ou de afecto - pode até não ser mais do que a base de uma muito divertida e compensadora "amizade erótica", como subscreve o Alberoni -, mas o mau sexo é a maior garantia de que uma relação está votada ao insucesso, ou àquilo que substitui o insucesso, quando não se quer terminar uma relação: Infelicidade.

O que levou a Paula Rego ao marido é o que nos leva a todos. Podemos depois ficar ou partir, mas se nunca houver bom sexo nunca chegaremos a estar. A 100 por cento, que é a percentagem que realmente interessa no amor. 

 

* O que é bom sexo? Toda a gente sabe (e cada um sabe de si).

 

09
Fev12

Felicidade efémera OU resumo da noite

José Maria Barcia

Seja por sinceridade ou por excesso de gin (dificilmente se distingue) é possível chegar a um estado de sorriso. Entenda-se por sorriso aquele estado de felicidade efémera, como o título diz.

 

Esta dita felicidade vem da conversa, do desabafo, da partilha. Vem do amor, com caixa baixa porque o amor com caixa alto é muito mais complicado. Esse amor traduz-se na partilha de vida com outros. Vem da amizade. E a amizade pode ser recente, muito recente ou longo como o raio. Não interessa. Amarás quem te apetecer. Por que motivo te apetecer. Porque sim, no fundo. Assim de um modo piegas porque é a ser piegas que a malta se entende.

 

Hoje estava mal e falei e bebi. Uma sem outra não funciona. Se só falares sem beber não chegas a nenhuma conclusão. Ou melhor, até chegas mas não entra, diga-se. Se só beberes sem falar entras numa espiral depressiva. O que é uma maçada auto-explicativa.

 

Voltando ao título, agora sorrio. Não interessa o meu drama actual. Há-de interessar, amanhã, e possivelmente de ressaca. Agora, neste presente, o sentimento é felicidade de sorriso. Aquele estado que te põe um sorriso na cara, mantém e prolonga.

 

E, no fundo, é disto que cada um vive. Da busca e espera desse sorriso. Daquele instante em que o sorriso não vai embora, que nada mais interessa, que o universo pára. Tal e qual um primeiro beijo.

 

E agradece a quem tiveres que agradecer quando a noite acabar com ''Para ti, um abraço''. Significa que vales a pena. Significa que vales qualquer coisa. E aí, quando e se chegares aí, já és mais que muitos. És alguém.

01
Fev12

Ora boas noites, está tudo bonzinho?

José Maria Barcia

Quando não tens nada para escrever mas apetece-te escrever, o que fazes?

 

Ora, podes perguntar aos outros o que fazer. Podes escrever sobre não escrever. Podes, até, tentar escontrar um tema, escrivinhando uns parágrafos sobre uma ideia até te aperceberes que não vale a pena.

 

O que, diga-se de passagem, é uma maçada incrível ter vontade de escrever mas tema é mentira. É pior que ter tema mas não vontade. É que esta situação cheira a desperdício. E o desperdício é uma coisinha muito má.

 

Não saber sobre o que escrever...

 

Há quem diga que não se deve escrever quando não se tem nada para dizer. Regra essa que tenho como muito querida. Não há pior que ter que ler ou ouvir alguém quando essa pessoa não tem nada para fazer passar. Como é este caso.

 

Portanto, vejo-me confrontado com a dura realidade, e pior ainda, fui eu que a trouxe. Eu estou a escrever sem ter nada para dizer.

 

Ao menos que isto sirva de lição para alguém. Para mim não serviu.

 

 

30
Jan12

mostra-me que me amas, mas não me digas

Ana Santiago

Esta é uma polaroid antiga. Tirei-a há uns dois anos durante uma palestra proferida pelo Francisco Varatojo no Instituto Macrobiótico de Portugal, no Chiado, em Lisboa. Foi uma daquelas coisas "de grátis", como ouvi uma vez um senhor dizer, e para as quais a minha amiga G., que tem uma agenda cultural de borlas sempre à mão, costuma arrastar-me.

O Varatojo é um tipo com muita piada. Embora tenho umas teorias estranhas sobre a alimentação que não me convêm nada, como não devermos comer tomate (logo eu que sou defensora da dieta mediterrânica), acerta em muitas outras que têm a ver com o que ingerimos mentalmente. E a polaroid de que falo agora, e só esta semana foi revelada com todas as cores, tem a ver com o poder masculino e o poder feminino.

Dizia o Varatojo, e toda a palestra, que versava sobre relacionamentos, estava baseada nesta premissa, que a principal causa de as relações (heterosexuas, ele só falou nessas) não darem certo prende-se com o facto de os papéis, as características e as idiossincrasias de cada sexo terem-se invertido, confundido e baralhado. Os homens começaram a assumir lados femininos que não é suposto e as mulheres lados masculinos que também não é suposto. Na altura, aquela ideia misturada com o ying e o yang, e mais não sei quê, cheirou-me a comida macrobiótica, saudável e tal, mas pouco apaladada. Para não dizer que, com o mau feitio gustativo que me é característico, senti um picantezinho a machismo.

Pois o Varatojo (não confundir com o senhor que nos falava de crimes e investigações) tinha razão.

Não tem a ver com tarefas domésticas; com quem dá banho aos filhos, cozinha ou arranja o candeeiro da sala... As tarefas marianas não têm sexo, dependem da aptidão, do gosto, do bom senso e do companheirismo e respeito; e aqui pode ou não haver lugar ao machismo e ao feminismo, ou "femischismo", ou "machisfemismo", que sei eu, e da educação que cada um trouxe de casa.

Tem a referida premissa a ver com aquilo que distingue o homem da mulher, a energia masculina da energia feminina, com aquilo que desde o início dos tempos nos prometeu uma guerra dos sexos, que apimenta as relações e dá graça ao facto de continuarmos a embrulharmo-nos com o sexo oposto. Somos iguais em direitos e deveres, mas não somos iguais em interesses, actos, contrições, omissões, desejos, manifestações da nossa sexualidade e visões do mundo e da realidade. Não queria aqui falar da famosa metáfora da caça e do caçador... mas o problema é que não me ocorre mais nenhuma. A mulher, sendo caça (desculpem lá a metáfora outra vez), sabe que acaba sempre por decidir os condimentos todos do cozinhado e até o grau de teperatura no forno. Então porque não deixar-se ser caçada? (suspeito que vão chover insultos)

Algures, nos últimos tempos, começámos a esquecer o que nos torna únicos. Isso gerou a confusão. As mulheres estão habituadas a viver em confusão, desde que se levantam até que se deitam, porque isso só cria mais oportunidades para fazerem o que sabem fazer melhor do que ninguém: organizar, encaixar em timelines e grelhas de expectativas calculadas à lupa das suas aspirações. Os homens não. Perdem-se e refugiam-se em tarefas unidisciplinares, uma coisa de cada vez... para não gerar mais confusão. No meio disto tudo, na lista de prioridades, o amor acaba tantas e tantas vezes por ficar para o fim.

 

Os homens, diz-se, e dizem alguns deles também, andam confusos, com medo e desacreditados no amor. As mulheres, diz-se, e dizem algumas delas também, andam confusas, com medo e a fingirem-se desacreditadas no amor.

Há um exemplo ou uma tentativa de explicação, em particular, que quero deixar impressa nesta polaroid, e que talvez seja transversal a isto: as mulheres são muito boas e muito rápidas. Estão à frente ainda antes da puberdade, sempre antes dos rapazes, e têm tido dificuldade em domesticar o seu lado controlador e super organizado, enfermo da maravilhosa síndrome multitask.
 

Nas relações é preciso que as mulheres dêem espaço aos homens para escolher. Para escolher como amam, como se dedicam, como se organizam, como se compreendem. É preciso devolver-lhes o poder de decisão. Não que decidam pelas mulheres ou que sequer se atrevam a decidir sobre o que a mulher deve ou não fazer, mas sobre o que eles próprios querem e como querem fazer. As mulheres, custa-me admitir, de tão fantásticas e completas, têm vindo progressivamente a castrar o homem, naquilo que ele, e todo o ser humano, tem de mais rico e inalienável - o poder de decidir sobre a sua vida. O poder, inclusive, de perder-se e encontrar-se como e quando quiser.

Chega de preocupações excessivas sobre o seu bem estar, chega de confundir amizade e companheirismo com maternalidade desviada (só os filhos é que precisam disso, ok?). Basta de desejarem que os homens se ponham a partilhar tudo e tudo, e de fazer psicanálise no sofá lá de casa (quando muito, dêem-lhes o contacto de um bom psicólogo, mas depois não andem a perguntar de cinco em cinco minutos se ele já marcou consulta). Párem de andar preocupadas com o "era tão bom se", e o "porque é que ele não...", vou dizer-lhe. Shiu! Não digam. Os 'se', os 'não' e os 'sim' são lá com eles. Dêem-lhes espaço para recuperar a sua masculinidade.  

 

Enquanto não perceberem isto das duas uma: ou têm homens banana ou ratos: Os primeiros são uma seca... os segundos também ninguém quer; saltam do navio assim que ele começa a zarpar para a Ilha dos Amores. E até o romântico do Camões, como sabemos, naufragou.

 

 

 

 

 

23
Jan12

A aventura do casamento.

João Gomes de Almeida

Em matéria de casamentos, o povo português é realmente o melhor do mundo. Todos temos uma opinião a dar e todos temos igualmente um episódio a contar. Para o comprovar, convido o estimado leitor a fazer uma pesquisa no Google Portugal (restringindo a mesma apenas a sites do nosso país) sobre a palavra "casamento" - rapidamente ficará surpreendido ao reparar que existem dez milhões e duzentos mil sites a falar sobre o assunto. Ou seja, existem tantos portugueses em Portugal, como portugueses a falarem do casamento na internet. Por outro lado, se fizermos a mesma pesquisa com a palavra "divórcio", apressadamente percebemos que só há um milhão trezentos e oitenta mil sites a referirem o mesmo. Pouco mais há a dizer, somos românticos, piegas, pirosos e antiquados o quanto baste, e ainda bem.

 

A verdade é que os hábitos mudaram e a juventude é o seu reflexo. O mundo é mais liberal e os casais ainda mais, namora-se muito, saímos tarde de casa dos nossos pais e nunca pensamos em casar. Aí é que o leitor se engana. Nós portugueses, jovens portugueses, continuamos a casar - mesmo em situação de crise, com empregos precários, vidas remediadas e futuros incertos. A bem da verdade, também existem mais divórcios, mas de que interessam? Recordo, dez milhões e duzentos mil de nós escrevemos na internet sobre casamento e apenas um milhão e tal é que escreve sobre o divórcio. Os românticos venceram, ponto final.

 

Mas já agora. O estimado leitor já pensou no porquê disto ser assim? É verdade, outra vez o estúpido do amor. Certo dia, vamos a um encontro de trabalho beber uns copos com profissionais da nossa área, metemos conversa com uma formosa rapariga e pedimos que nos segure o copo enquanto acendemos o cigarro. Aí o mundo como que se altera, as prioridades invertem-se e tempos depois estamos a pesquisar no Google sobre "casamento".

 

Agora, quando acabar este texto, já serão dez milhões duzentos mil e um sites a falar sobre o casamento em Portugal. Pois é, aqui estou eu, romântico, piegas, piroso e antiquado, mas apaixonado o quanto baste. Não se preocupe caro leitor, não tarda e entrará também para esta lista - tenha cuidado a quem pede para segurar o seu copo enquanto acende o cigarro.

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Obrigadinho!

 

O Polaroid podia ter ganho o prémio de Blog Revelação do ano 2011 da TVI24, mas infelizmente vocês são uns leitores do caraças e não votaram em nós! Mesmo assim, vamos continuar a escrever, sendo que quem levou a taça foi o @ChicodeOeiras e a sua malta esquerdista! Já percebemos que vocês preferem o Mao ao amor e o Enver Hoxha aos nossos textos bonitos! . Agradecemos a vossa ajuda! Obrigadinho malta!


PS - O Zé Maria obrigou-nos a colocar no final disto: "mas continuamos a gostar de vocês".

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